Após um terremoto ou o desabamento de um edifício, cada minuto faz diferença para salvar vidas. Encontrar sobreviventes soterrados é uma tarefa extremamente complexa, mas uma tecnologia criada pela NASA vem ajudando equipes de resgate justamente nesse cenário. O sistema, chamado FINDER, utiliza ondas de rádio para detectar os pequenos movimentos provocados pelos batimentos cardíacos e pela respiração de pessoas presas sob os escombros, aumentando as chances de um resgate bem-sucedido.
Como funciona o sistema FINDER

A sigla FINDER significa Finding Individuals for Disaster Emergency Response (“Localização de Pessoas para Resposta a Emergências em Desastres”). O projeto foi desenvolvido pelo Jet Propulsion Laboratory (JPL), em parceria com o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.
O equipamento tem aproximadamente o tamanho de uma mala e funciona por meio de um radar de micro-ondas. Em vez de captar imagens ou sons, ele envia ondas de rádio capazes de atravessar montes de concreto, aço e terra. Quando essas ondas retornam, o sistema analisa variações extremamente pequenas causadas pelos movimentos do corpo humano.
Segundo os engenheiros responsáveis pelo projeto, o coração movimenta o corpo cerca de um milímetro a cada batimento. Como os escombros permanecem praticamente imóveis, o equipamento consegue isolar esse movimento e verificar se ele corresponde aos padrões de respiração e batimentos cardíacos.
O protótipo final foi apresentado em 2015, durante testes realizados em um centro de treinamento para operações de resgate no estado da Virgínia, nos Estados Unidos. Anos depois, uma versão mais avançada do sistema foi utilizada nas Filipinas para auxiliar as buscas após um terremoto na cidade de Davao.
Diferencia pessoas de máquinas e até de animais

Um dos grandes diferenciais do FINDER é sua capacidade de distinguir diferentes tipos de movimento.
Durante uma operação de resgate, escavadeiras, britadeiras e outros equipamentos geram inúmeras vibrações. O sistema consegue separar essas interferências dos sinais produzidos por uma pessoa viva.
A tecnologia também diferencia seres humanos de animais, algo importante em operações que utilizam cães farejadores para localizar vítimas soterradas.
As limitações da primeira versão
Como acontece com muitos projetos inovadores, o primeiro FINDER apresentava algumas restrições.
O equipamento não conseguia determinar com precisão quantas pessoas estavam presas sob os escombros. Além disso, encontrava dificuldades para atravessar determinados materiais, especialmente grandes estruturas metálicas.
Mesmo assim, os responsáveis pelo projeto defenderam o uso da tecnologia desde as primeiras versões. A avaliação era de que um equipamento capaz de funcionar de forma eficiente, ainda que não fosse perfeito, poderia salvar inúmeras vidas enquanto novas melhorias continuavam sendo desenvolvidas.
De projeto da NASA a ferramenta para equipes de resgate

Após comprovar a eficácia do conceito, a NASA licenciou a tecnologia para empresas especializadas na fabricação de equipamentos destinados a serviços de emergência.
Uma delas foi a SpecOps Group Inc., que trabalhou ao lado de engenheiros do JPL para transformar o protótipo em um produto comercial.
Além de operações em prédios destruídos por terremotos, a tecnologia pode ser empregada em avalanches de neve, deslizamentos de terra e outros desastres naturais que deixam pessoas soterradas.
As versões mais recentes, como o MK4 FINDER, incorporaram câmeras que alternam automaticamente entre visão convencional e infravermelha. Esse recurso permite que as equipes atuem tanto durante o dia quanto à noite, localizando sinais vitais a uma distância segura e aumentando a eficiência das operações de busca.
[ Fonte: Clarín ]