A inteligência artificial já desperta preocupações por causa do alto consumo de energia dos grandes modelos de linguagem. Agora, um novo estudo indica que a próxima geração dessa tecnologia pode ampliar ainda mais esse impacto. Pesquisadores do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia (KAIST) descobriram que os chamados agentes de IA podem consumir até 136,5 vezes mais energia por solicitação do que um chatbot tradicional, tornando seu uso em larga escala um desafio para a infraestrutura elétrica.
Por que os agentes de IA gastam muito mais energia
Diferentemente de um chatbot convencional, que responde diretamente a uma pergunta do usuário, os agentes de IA executam tarefas em várias etapas.
Para cumprir um comando, eles precisam analisar informações, tomar decisões intermediárias e consultar repetidamente um grande modelo de linguagem até concluir a atividade. Esse processo exige muito mais processamento e aumenta significativamente o consumo de energia.
Segundo os pesquisadores, esse funcionamento cria um efeito multiplicador que não existe nas interações tradicionais com a IA generativa.
Consumo pode ser mais de 130 vezes maior
Os cálculos apresentados no estudo mostram que um agente de IA baseado em modelos semelhantes aos disponíveis comercialmente consome, em média, 348,41 watt-hora por consulta.
Os autores comparam esse gasto ao consumo de uma lâmpada LED acesa durante um dia inteiro.
Em comparação, uma consulta convencional feita a um modelo de IA generativa utiliza cerca de 136,5 vezes menos energia.
Para os pesquisadores, esse aumento representa um dos custos ocultos da popularização dos agentes inteligentes.
Tempo de resposta também cresce
O estudo identificou outro efeito importante: a velocidade de resposta.
Em média, os agentes de IA demoraram 153,7 vezes mais para concluir uma tarefa do que uma consulta tradicional.
Além de afetar a experiência do usuário, esse atraso reduz a eficiência dos servidores responsáveis pelo processamento.
Enquanto o agente consulta repetidamente o modelo para avançar em cada etapa da tarefa, parte da capacidade das GPUs permanece ociosa.
Segundo a pesquisa, essas unidades de processamento podem ficar sem executar operações por até 54,5% do tempo durante a execução de um agente, reduzindo a eficiência dos sistemas.
A tecnologia já está se espalhando
Embora pareça uma tecnologia ainda experimental, os agentes de IA já começaram a ganhar espaço em diversos serviços.
De acordo com o estudo, a plataforma Moltbook, uma rede social voltada para agentes de inteligência artificial, já reúne cerca de 200 mil agentes verificados.
Além disso, aproximadamente 400 mil agentes receberam autorização para utilizar a stablecoin USDC.
Grandes empresas também avançam nessa direção. O Google, por exemplo, começou a incorporar recursos baseados em agentes de IA à experiência de navegação na internet, indicando que essa tecnologia tende a se tornar cada vez mais comum.
O impacto pode alcançar a infraestrutura elétrica
Os pesquisadores também projetaram um cenário em que os agentes de IA realizem cerca de 13,7 bilhões de solicitações por dia, um volume semelhante ao número diário de pesquisas processadas pelo Google.
Se esse nível de utilização for alcançado sem avanços significativos em eficiência energética, a demanda poderá chegar a aproximadamente 198,9 gigawatts de potência.
Segundo os autores, isso corresponde a quase metade de todo o consumo atual de eletricidade dos Estados Unidos.
Embora esse cenário ainda seja uma projeção, o estudo reforça um alerta importante: à medida que os agentes de IA assumirem tarefas cada vez mais complexas, reduzir seu consumo de energia será tão importante quanto ampliar sua capacidade de raciocínio.