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Tecnologia

Afinal, todo mundo está mesmo “namorando” chatbots de IA?

Pesquisas recentes sugerem que milhões de pessoas já tiveram algum tipo de relação romântica ou sexual com inteligências artificiais. Mas os números variam bastante, dependendo da metodologia — e da definição de “relacionamento”. A febre dos companheiros virtuais pode estar crescendo, mas ainda divide opiniões.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O avanço das inteligências artificiais abriu espaço para usos práticos, criativos e até artísticos. Mas uma das áreas mais polêmicas — e que desperta tanto fascínio quanto rejeição — é a dos companheiros virtuais românticos e sexuais. Uma pesquisa recente afirma que quase um terço dos adultos nos Estados Unidos já teve uma relação do tipo. O dado parece alto demais? Talvez.

A pesquisa da Vantage Point

O levantamento foi conduzido pela Vantage Point, um serviço de aconselhamento no Texas, que entrevistou 1.012 adultos. Segundo a empresa, 30% dos participantes relataram já ter tido pelo menos um relacionamento romântico com um chatbot de IA.

O resultado chamou atenção, mas também levantou dúvidas. Foi a primeira pesquisa publicada pela instituição, realizada por meio da plataforma SurveyMonkey — mais próxima de um questionário de opinião do que de um estudo científico rigoroso. Ainda assim, serve como referência para discutir até que ponto a relação entre humanos e máquinas já se tornou cotidiana.

O que dizem outras pesquisas

Ao comparar com estudos prévios, os números parecem mais modestos. Uma pesquisa do Match.com em parceria com o Instituto Kinsey da Universidade de Indiana encontrou que 16% dos adultos já tiveram algum tipo de interação romântica com IA.

A diferença pode estar no conceito: enquanto a Vantage Point fala em “relacionamento”, o Match/Kinsey usou o termo “interação”. Para alguns, trocar mensagens íntimas com um chatbot já pode soar como namoro; para outros, trata-se apenas de uma conversa casual sem compromisso.

Um dos entrevistados resumiu bem essa confusão: “Faço chats sexuais, mas não vejo isso como um relacionamento”.

Gerações mais jovens lideram

Quando o recorte é por idade, os números se aproximam mais dos 30% da Vantage Point. Entre Millennials, 23% já tiveram experiências românticas com IA; entre a Geração Z, o índice chega a 33%.

Ainda assim, outros estudos sugerem que o fenômeno é bem menos difundido. Uma pesquisa da Family Studies/YouGov com 2.000 adultos com menos de 40 anos mostrou que apenas 1% já tem um companheiro de IA e 7% estariam abertos à ideia.

Isso mostra que, apesar do barulho midiático, as relações amorosas com chatbots ainda são uma prática minoritária.

É traição?

Outro ponto sensível é se “namorar” um chatbot pode ser considerado infidelidade. Para 66% dos jovens entrevistados pela Vantage Point, sim — embora 10% desse grupo classifiquem como uma “traição aceitável”.

A posição não difere muito de outros levantamentos. Uma pesquisa do Instituto Kinsey com o site DatingAdvice.com concluiu que 61% dos adultos acreditam que sexting ou vínculo romântico com IA configura traição. Um levantamento da Bloomberg também mostrou que cerca de 60% da Geração Z vê com desconfiança o uso de IA em aplicativos de namoro, mesmo em tarefas “inocentes” como escrever uma bio ou enviar mensagens.

O futuro das relações com IA

Se o presente ainda está marcado por ceticismo, o futuro pode ser bem diferente. Uma análise da comunidade Reddit r/MyBoyfriendIsAI revelou que apenas 6,5% dos usuários entraram no chatbot com intenção romântica, mas muitos acabaram desenvolvendo vínculos emocionais inesperados.

Isso sugere que, mesmo que os números de hoje estejam inflados ou subestimados, há espaço para crescimento. A combinação de solidão, acessibilidade tecnológica e normalização cultural pode ampliar a presença dos “namoros digitais” nos próximos anos.

Menos de 30%, por enquanto

Por ora, é seguro dizer que menos de um terço dos americanos realmente namora uma IA. Mas os estudos já indicam que a geração mais jovem é a mais propensa a testar esse tipo de relação. E, como em qualquer mudança tecnológica, a fronteira entre ficção científica e vida real pode desaparecer mais rápido do que esperamos.

 

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