A discussão é antiga: o que prejudica mais, álcool ou açúcar?
De acordo com a nutricionista Andrezza Botelho, a resposta é direta — e nada animadora: os dois fazem mal na mesma proporção. Cada um ataca o organismo de formas diferentes, mas ambos estão ligados a doenças graves, inflamações e problemas metabólicos.
Entenda por que o álcool é tão prejudicial ao organismo
O álcool traz efeitos imediatos, como desidratação e ressaca, mas é no longo prazo que a situação fica séria. A especialista destaca riscos que muita gente ignora:
- câncer de boca, garganta, esôfago, fígado, mama e cólon;
- cirrose hepática;
- hipertensão, insuficiência cardíaca e miocardiopatia;
- danos cerebrais, perda de memória e até demência;
- inflamação gastrointestinal e problemas de fertilidade.
Além disso, cada grama de álcool tem 7 calorias, quase o mesmo que a gordura — e muito acima dos carboidratos. Isso favorece acúmulo de gordura abdominal e atrapalha o metabolismo.
E tem mais: o organismo prioriza metabolizar o álcool como toxina, diminuindo temporariamente a queima de gordura e afetando a absorção de nutrientes.
Açúcar: energia rápida — e problemas ainda mais rápidos

Já o açúcar, especialmente o açúcar de adição presente em produtos industrializados, está ligado a:
- maior risco de diabetes e obesidade;
- problemas cardiovasculares;
- certos tipos de câncer;
- declínio cognitivo e piora da memória;
- inflamações, alterações digestivas e mudanças de humor.
O excesso de glicose sobrecarrega o sistema nervoso, interfere no aprendizado e pode contribuir para quadros demenciais.
Além disso, doces e bebidas açucaradas causam oscilações rápidas na glicemia, aumentando o apetite e levando a escolhas alimentares piores — o famoso ciclo da fome emocional.
Dieta em risco: como álcool e açúcar sabotam seus objetivos
Se o foco é emagrecer ou ganhar massa muscular, álcool e açúcar agem como inimigos diretos.
O álcool reduz hormônios essenciais para a construção muscular — como testosterona e GH — e ainda aumenta o cortisol, hormônio catabólico que favorece perda de massa magra.
Já alimentos ricos em açúcar oferecem muitas calorias e quase nenhum nutriente, dificultando o controle de peso e prejudicando o desempenho físico.
Dá para consumir de forma equilibrada?
Existe espaço para moderação — mas com limites claros.
Botelho explica que:
Açúcar de adição deve ser evitado sempre que possível. Priorize alimentos com açúcar natural, como frutas e preparações sem açúcar extra.
Álcool, por outro lado, não deveria fazer parte da rotina. Quando o consumo acontece, a nutricionista recomenda suplementação para proteger o fígado, como silimarina, alcachofra e laranja moro.
Em outras palavras: equilíbrio é possível, mas não com consumo frequente — especialmente se o objetivo é saúde real, e não só estética.
Álcool e açúcar continuam sendo protagonistas de muitos momentos sociais, mas entender seus impactos ajuda a fazer escolhas mais conscientes. No fim, não se trata de escolher o “menos pior”, e sim de descobrir como seu corpo reage e decidir qual caminho faz mais sentido para a sua vida.
[Fonte: CNN Brasil]