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Ciência

Bilionário afirma ter “limpado” microplásticos do sêmen — e reacende debate sobre fertilidade masculina

O polêmico biohacker Bryan Johnson diz ter reduzido drasticamente os microplásticos no próprio corpo, inclusive no sêmen, com sauna diária e mudanças na rotina. A ciência, porém, ainda não comprova que esse tipo de “desintoxicação” realmente funcione — embora os microplásticos sejam um risco real para a fertilidade.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Parece ficção científica, mas é só mais um capítulo do “Projeto Blueprint”, o plano milionário do bilionário Bryan Johnson para alcançar a juventude eterna. O empreendedor afirma ter conseguido “lavar” seu sêmen de microplásticos, reduzindo em mais de 80% a concentração dessas partículas em poucos meses. A promessa? Recuperar a vitalidade e até melhorar a fertilidade masculina.

O homem que quer vencer o tempo

Bilionário afirma ter “limpado” microplásticos do sêmen — e reacende debate sobre fertilidade masculina
© Pexels

Bryan Johnson já é conhecido no mundo do biohacking, uma comunidade que usa tecnologia, dietas e experimentos biológicos para tentar aprimorar o corpo humano. Agora, ele diz ter ido ainda mais longe: mediu a presença de microplásticos no sangue e no sêmen — e encontrou uma redução impressionante.

Em novembro de 2024, Johnson registrou 165 partículas de plástico por mililitro de sêmen. Sete meses depois, em julho de 2025, o número caiu para 20 partículas. No sangue, a queda foi de 70 para 10 partículas. O bilionário afirma que o processo foi resultado de uma rotina intensa de saunas diárias a 93 °C combinadas com mudanças alimentares e ambientais.

O perigo invisível dos microplásticos

Os microplásticos — fragmentos minúsculos que se formam quando materiais maiores se degradam — estão em toda parte: garrafas, alimentos, roupas e até no ar. Estudos já os encontraram no sangue humano, na placenta e, mais recentemente, nos testículos, tanto de humanos quanto de cães.

Pesquisas citadas por Johnson, como uma meta-análise de 36 estudos publicada na revista Environmental Pollution, mostram que essas partículas estão ligadas à redução da fertilidade masculina, por provocarem estresse oxidativo e inflamação testicular, diminuindo a produção de espermatozoides e os níveis de testosterona.

O método radical de “limpeza”

Mas como alguém “lava” microplásticos do corpo? O protocolo de Johnson mistura pseudociência e precaução real. Além da sauna, ele afirma seguir regras rígidas:

  • Não aquecer alimentos em plástico;
  • Evitar tábuas de corte plásticas;
  • Usar água filtrada por osmose reversa;

E, segundo ele, proteger a fertilidade com “gelo nos testículos” durante o calor extremo da sauna.

A hipótese é que o suor ajudaria a eliminar partículas tóxicas. Um estudo de 2012 chegou a apontar que o suor pode expulsar metais pesados e substâncias químicas como o bisfenol (BPA) — mas ainda não há provas de que o corpo elimine microplásticos sólidos dessa forma.

O que a ciência realmente diz

Especialistas acreditam que o efeito observado por Johnson pode ter vindo, na verdade, da redução da exposição a novas fontes de plástico, e não da sauna. Ou seja: ao deixar de ingerir, respirar ou tocar tanto plástico, o corpo naturalmente eliminou o excesso com o tempo.

Mesmo assim, o experimento reacendeu o debate sobre o impacto invisível da poluição moderna na fertilidade. E mostrou que, embora o “milagre” de Johnson ainda careça de evidências, a contaminação por microplásticos é um problema concreto e crescente.

Entre esperança e exagero

Por enquanto, a chamada “limpeza de sêmen” é mais anedota do que avanço científico. Para comprovar seus efeitos, seriam necessários ensaios clínicos controlados com um número significativo de voluntários. Mas o caso de Bryan Johnson levanta uma questão incômoda: se até o bilionário que tenta viver para sempre está preocupado com o plástico, talvez seja hora de todos repensarmos o quanto ele já faz parte de nós.

[Fonte: Xataka]

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