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Tecnologia

Alemanha discute mudanças na tarifa única de energia elétrica

Na Alemanha, a energia elétrica é produzida principalmente no norte e consumida em larga escala no sul, mas o preço é o mesmo em todo o país. Agora, um debate acalorado ganha força: o fim da tarifa única pode alterar profundamente os custos para consumidores e grandes indústrias.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Um sistema em xeque

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© X-@convergencia

A chamada “zona única de oferta elétrica” garante que o preço da eletricidade seja igual em todo o território alemão, inclusive para grandes consumidores. Mas, para muitos especialistas, o modelo não reflete a realidade do mercado.

No norte, onde a oferta de energia renovável é abundante, os preços poderiam ser menores. Já no sul, região mais industrializada, a alta demanda deveria elevar os custos. Para esses analistas, um sistema com múltiplas zonas de preço seria mais justo e eficiente.

Pressão da indústria e impacto econômico

O alto preço da eletricidade preocupa setores estratégicos, como a indústria do aço, cuja produção caiu quase 12% no primeiro semestre de 2025, segundo a Associação Alemã do Aço.

“É preciso garantir um preço competitivo e estável para as indústrias intensivas em energia”, alertou Kerstin Maria Rippel, diretora da entidade, defendendo medidas urgentes para evitar que os custos altos estrangulem a já frágil economia alemã.

A Comissão Europeia também pressiona por mudanças e defende o fim da tarifa única, não apenas na Alemanha, mas também em Luxemburgo, como forma de baratear os preços para o setor industrial.

Divisão política e resistência interna

O tema gera tensão na coalizão de governo em Berlim. Partidos como o SPD querem manter a tarifa única, enquanto os conservadores da CDU/CSU se opõem à possibilidade de a Baviera pagar mais caro.

O Ministério da Economia já declarou que, conforme previsto no acordo de coalizão, o governo federal pretende manter o modelo atual. A posição também é defendida pela Associação Federal de Energia e Água (BDEW), que considera a divisão “ineficiente” e potencialmente prejudicial para os investimentos.

Especialistas defendem preços regionais

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© Matthew Henry – Unsplash

Apesar da resistência política, economistas apontam que a atual tarifa única não acompanha a realidade da rede elétrica. O problema central é a falta de capacidade para transportar energia do norte, onde é gerada, para o sul, onde é mais consumida.

“Oferta e demanda se afastaram espacialmente. A física e a economia não batem. Preços regionais fariam mais sentido”, explica Andreas Löschel, professor da Universidade do Ruhr.

Segundo Bernd Weber, do think tank Epico, a criação de zonas de preços menores poderia reduzir custos e gerar mais eficiência, como já ocorre na Escandinávia. No entanto, ele alerta que o debate “está fortemente politizado” e que adiar soluções pode agravar o problema.

A Alemanha discute o fim da tarifa única de energia elétrica, que mantém o mesmo preço em todo o país. Especialistas defendem preços regionais para equilibrar oferta e demanda, enquanto governo e associações do setor resistem à mudança. A decisão pode impactar diretamente consumidores e indústrias.

 

[ Fonte: DW ]

 

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