O estudo, publicado em 21 de agosto na revista Physical Review Letters, analisou dados do Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI) para testar a chamada hipótese dos buracos negros cosmologicamente acoplados (CCBH, na sigla em inglês). Segundo os cientistas, os buracos negros poderiam converter matéria de estrelas mortas em energia escura, alimentando sua presença ao longo de bilhões de anos.
Como os dados sustentam a hipótese
O modelo relaciona diretamente a taxa de formação de energia escura com a taxa de nascimento e morte de estrelas — algo já confirmado diversas vezes por observações do Telescópio Espacial Hubble e do James Webb.
Além disso, a hipótese ajuda a resolver uma antiga contradição entre os dados do DESI e experimentos com neutrinos feitos na Terra. “Este trabalho ajusta os dados a um modelo físico específico pela primeira vez, e funciona muito bem”, explicou Gregory Tarlé, coautor do estudo e cientista do DESI. “É intrigante, no mínimo. Eu diria ‘convincente’, mas tentamos reservar essa palavra na nossa área.”
O papel do DESI na descoberta

Instalado no Arizona, o DESI utiliza 5.000 fibras ópticas robóticas para mapear o Universo, capturando uma galáxia a cada 15 minutos. Desde 2018, o instrumento tem produzido um mapa 3D sem precedentes do cosmos, revelando novos detalhes sobre a distribuição da matéria e da energia.
Segundo os pesquisadores, o modelo CCBH também oferece uma solução elegante para outro desafio: os dados do DESI sugeriam que há menos matéria hoje do que no passado, algo que gerava conflitos entre a cosmologia e a física de partículas. Para Rogier Windhorst, coautor do estudo e astrofísico da Arizona State University, a nova hipótese reconcilia as estimativas:
“A distribuição de massa dos neutrinos agora aponta para um valor positivo, totalmente consistente com os experimentos terrestres. Isso é empolgante”, afirmou.
Uma nova era para a cosmologia
Apesar dos avanços, os cientistas destacam que a hipótese ainda precisa ser testada com mais dados e observações. Para Duncan Farrah, astrofísico da Universidade do Havaí e coautor do estudo, a proposta “quantificadamente conecta fenômenos que você não esperaria que estivessem relacionados” — mas exige cautela e validação futura.
Com instrumentos como o DESI e telescópios de nova geração, a cosmologia vive uma era de ouro, com descobertas que podem reescrever a história do Universo. A energia escura continua sendo um dos maiores mistérios da física moderna, mas os buracos negros podem estar, finalmente, revelando parte dessa resposta.