Cientistas veem risco real de pandemia a partir da degradação
O climatologista Carlos Nobre trouxe números que assustam. Segundo ele, a Amazônia pode perder até 70% de sua cobertura florestal nas próximas décadas se o aquecimento global ultrapassar 2 °C.
O ponto mais sensível é o avanço do desmatamento. Hoje, cerca de 18% da floresta já foi destruída. Se esse índice chegar entre 25% e 26%, especialistas acreditam que a floresta pode entrar em um processo irreversível de degradação.
E onde entra a pandemia? Nobre explicou que florestas degradadas criam condições ideais para a circulação de novos vírus. Com menos equilíbrio ecológico, o contato entre humanos e patógenos desconhecidos se torna mais frequente, aumentando o risco de uma nova pandemia em escala global.
Alerta climático: temperatura global se aproxima do limite crítico

Outro fator que intensifica o alerta é o aquecimento do planeta. Dados recentes indicam que a temperatura média global está prestes a ultrapassar 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. O medo é que, ao atingir 2 °C, nenhuma estratégia de contenção seja suficiente para salvar a Amazônia.
Segundo Nobre, o impacto ambiental seria gigantesco:
- Mais de 250 bilhões de toneladas de carbono poderiam ser liberadas
- O risco de pandemia aumentaria de forma significativa
- Eventos climáticos extremos se tornariam mais frequentes
A proposta apresentada durante a COP30 é clara: meta de desmatamento zero em todos os biomas e redução de 75% nas emissões de combustíveis fósseis.
Pressão internacional cresce contra o desmatamento
A cobrança sobre o desmatamento ganhou ainda mais força com a fala de Kirsten Schuijt, diretora-geral do WWF Internacional. Em tom firme, ela afirmou que o mundo não está apenas perdendo árvores, mas serviços ecossistêmicos essenciais para a vida no planeta.
Ela também destacou um ponto histórico: a forte presença de povos indígenas nas discussões da COP30. Segundo a dirigente, essa foi uma das maiores participações indígenas já vistas em conferências climáticas, todas exigindo o fim do desmatamento e a restauração da Amazônia.
O recado internacional é claro: manter o ritmo atual pode acelerar desastres climáticos e aumentar o risco de uma nova pandemia.
O que está em jogo agora
O debate vai muito além de árvores. A Amazônia virou peça central na luta contra o aquecimento global e na prevenção de futuras crises sanitárias. Se o desmatamento continuar avançando, o mundo pode enfrentar não só eventos climáticos extremos, mas também uma nova pandemia. Resta saber se as promessas feitas agora vão, de fato, virar ação antes que seja tarde demais.
[Fonte: Correio do Estado]