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Desmatamento cai 11% na Amazônia e no Cerrado, mas avanço no Mato Grosso preocupa

O desmatamento na Amazônia e no Cerrado caiu cerca de 11% em um ano, segundo dados do Inpe divulgados pelo governo federal. A ministra Marina Silva destacou o resultado como prova do compromisso do Brasil com o desmatamento zero até 2030 — embora alguns estados ainda apresentem altas preocupantes.
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O Brasil registrou uma nova queda no desmatamento dos dois maiores biomas do país. Dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que tanto a Amazônia quanto o Cerrado tiveram redução de aproximadamente 11% nas áreas desmatadas entre agosto de 2024 e julho de 2025.

Queda histórica e compromisso com o clima

Desmatamento cai 11% na Amazônia e no Cerrado, mas avanço no Mato Grosso preocupa
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Na Amazônia, o total desmatado foi de 5.796 km², a terceira menor taxa desde 1988, quando o monitoramento começou. Já no Cerrado, o número ficou em 7.235 km², consolidando o segundo ano consecutivo de queda após cinco anos de alta.

Para a ministra Marina Silva, os dados mostram que o plano de desmatamento zero até 2030 está no caminho certo.

“A redução do desmatamento na Amazônia pelo terceiro ano consecutivo e no Cerrado pelo segundo ciclo seguido é a confirmação de que a agenda ambiental é prioritária e transversal no governo do presidente Lula”, afirmou.

Ela reforçou que frear o desmatamento é essencial para o Brasil cumprir metas climáticas e proteger a população dos efeitos do aquecimento global, como secas e enchentes cada vez mais intensas.

O impacto climático da preservação

Desde 2022, o país evitou a emissão de 733,9 milhões de toneladas de CO₂, o equivalente às emissões somadas de Espanha e França em um ano. A queda acumulada na Amazônia durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva chega a 50% em comparação com 2022.

Esses avanços colocam o Brasil novamente no centro das negociações climáticas globais, com o governo tentando retomar o protagonismo ambiental perdido nos últimos anos.

Disparidades regionais e pontos de alerta

Apesar da melhora geral, os números ainda revelam grandes desigualdades regionais. O Pará lidera o ranking da destruição, com 2.098 km² desmatados (36,2%), seguido por Mato Grosso, com 1.572 km² (27,1%), onde houve um aumento de 25% na taxa. O Amazonas aparece em terceiro lugar, com 1.016 km² (17,5%).

Por outro lado, Tocantins (-62,5%) e Amapá (-48,1%) registraram as maiores reduções, mostrando que o controle é possível com políticas regionais eficazes.

No Cerrado, quase 80% do desmatamento ocorreu na região do Matopiba, fronteira agrícola que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — áreas fortemente pressionadas pela expansão da soja e da pecuária.

Desafio ainda longe do fim

Os dados positivos reforçam o avanço da política ambiental brasileira, mas o desafio está longe de ser resolvido. A continuidade das reduções depende de fiscalização permanente, investimentos em economia verde e cooperação entre governos estaduais e federal.

Como lembrou Marina Silva, frear o desmatamento não é apenas proteger árvores — é proteger o futuro climático do país. E, neste ritmo, o Brasil tem a chance real de voltar a ser exemplo global de preservação.

[Fonte: Correio Braziliense]

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