Aula prática expôs estudantes a risco
Na última sexta-feira (14), 44 alunos do Ensino Médio de uma escola estadual em Laranja da Terra, no Espírito Santo, participaram de uma atividade prática para descobrir o tipo sanguíneo. Durante a experiência, foi utilizada uma mesma agulha para coletar sangue de todos os estudantes, o que gerou grande preocupação entre pais, autoridades e profissionais de saúde.
O professor de Química responsável pela atividade foi demitido, e o caso foi encaminhado à corregedoria da Secretaria de Estado da Educação (Sedu). Segundo a secretaria, a prática ocorreu sem autorização da coordenação pedagógica. Os alunos foram encaminhados para exames médicos a fim de descartar possíveis infecções.
Preocupação com a saúde dos alunos
Médicos alertam que o compartilhamento de agulhas pode resultar na transmissão de doenças infecciosas graves, como HIV, hepatite B e hepatite C. A Secretaria Municipal de Saúde de Laranja da Terra foi acionada para iniciar um protocolo de testagem dos estudantes.
Todos os alunos passaram por exames, e até o momento, os testes iniciais não indicaram qualquer infecção. No entanto, como medida de precaução, os jovens precisarão ser acompanhados por mais tempo e realizar novos exames nos próximos 30, 60 e 90 dias.
Além da preocupação com a saúde, os adolescentes relataram que passaram a ser discriminados na escola, devido ao receio de contaminação. Esse impacto psicológico tem sido acompanhado por profissionais da área da saúde e educação.
Medidas adotadas pelas autoridades
A Sedu informou que os estudantes seguem frequentando as aulas normalmente e que todos os 44 alunos foram submetidos a testes rápidos de infecção, com resultados negativos. Nesta terça-feira (18), exames complementares para verificar a imunidade contra hepatite B e C foram realizados.
A Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde, organizou uma reunião com pais e alunos para esclarecer dúvidas e reforçar o protocolo de acompanhamento. A escola também promoveu encontros para orientar os estudantes sobre os riscos do compartilhamento de materiais médicos.
A atividade realizada pelo professor de Química ocorreu sem a aprovação da direção da escola. Assim que a Sedu tomou conhecimento do ocorrido, foram adotadas todas as medidas cabíveis, incluindo a rescisão do contrato do professor e o encaminhamento do caso para investigação.
O caso segue sob investigação
A Polícia Civil informou que o caso está sendo investigado pela Delegacia de Polícia de Laranja da Terra. No momento, detalhes da investigação não serão divulgados.
Enquanto isso, as autoridades de saúde continuam monitorando os estudantes, garantindo que tenham acesso a exames periódicos e acompanhamento médico. A Secretaria Municipal de Saúde segue prestando apoio aos alunos e familiares, reforçando a importância da prevenção em práticas laboratoriais e educacionais.
A expectativa é que os resultados das novas rodadas de testes confirmem a ausência de infecções, trazendo mais tranquilidade para os envolvidos.
[Fonte: G1 – Globo]