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Tecnologia

Anthropic revela quais profissões já estão mais expostas à inteligência artificial — e mostra que o impacto real ainda está longe do máximo previsto

Um novo relatório da Anthropic, empresa responsável pelo modelo Claude, analisou dados reais de uso da inteligência artificial no trabalho. O estudo mostra que muitas profissões têm alto potencial teórico para automação, mas que a adoção prática ainda é menor — embora já seja significativa em áreas como programação, administração e atendimento ao cliente.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho tornou-se um dos debates centrais da economia digital. Relatórios de universidades, organismos internacionais e empresas de recrutamento tentam prever quais profissões serão mais afetadas. Agora, um dos próprios gigantes da IA entrou na discussão. A Anthropic publicou um estudo que compara o potencial teórico da tecnologia com o uso real observado no ambiente profissional — e os resultados mostram um cenário mais complexo do que muitas previsões sugerem.

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© Pexels

O relatório, intitulado Labour Market Impacts of AI: A New Measure and Early Evidence, utiliza dados reais de uso do modelo Claude em tarefas profissionais.

A principal inovação do estudo é um indicador chamado “exposição observada”. Ele mede não apenas quais tarefas poderiam ser automatizadas teoricamente pelos modelos de linguagem, mas quais já estão sendo assistidas ou executadas pela inteligência artificial na prática.

Essa distinção é importante. O potencial teórico mostra até onde a tecnologia poderia chegar. Já a exposição observada revela até que ponto as empresas e trabalhadores realmente estão usando essas ferramentas no dia a dia.

Segundo os pesquisadores, existe uma grande diferença entre esses dois níveis — e essa lacuna ajuda a entender por que o impacto da IA no emprego ainda está evoluindo gradualmente.

Profissões com maior potencial teórico de automação

Quando se observa apenas a capacidade teórica dos modelos de linguagem, várias áreas aparecem como altamente expostas à inteligência artificial.

Os grupos profissionais com maior potencial de automação são:

  • informática e matemática: 94,3%

  • negócios e finanças: 94,3%

  • gestão e administração: 91,3%

  • suporte de escritório e tarefas administrativas: 90%

  • setor jurídico: 89%

  • arquitetura e engenharia: 84,8%

  • artes, comunicação e mídia: 83,7%

Isso significa que grande parte das tarefas desses setores envolve atividades cognitivas, análise de informação ou produção de texto — exatamente os tipos de tarefas em que modelos de linguagem se destacam.

Outras áreas também apresentam potencial significativo, embora menor:

  • ciências sociais e biológicas: 77%

  • vendas: 62%

  • educação e bibliotecas: 61,7%

  • profissionais de saúde: 59,9%

  • serviços sociais: 50,5%

Setores onde a inteligência artificial tem pouco alcance

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© https://x.com/UNESCO

Nem todos os trabalhos estão igualmente expostos à automação por IA.

Profissões que exigem trabalho físico, presença humana ou habilidades manuais apresentam potencial muito menor.

Entre os setores com menor exposição teórica estão:

  • manutenção de áreas verdes: 3,9%

  • transporte: 12,1%

  • agricultura: 15,7%

  • hotelaria e alimentação: 16,9%

  • construção civil: 16,9%

  • cuidados pessoais: 18,2%

  • instalação e reparos técnicos: 18,4%

  • produção industrial: 19%

Esses dados reforçam um padrão já observado em outros estudos: tarefas físicas complexas continuam sendo muito mais difíceis de automatizar do que tarefas digitais ou administrativas.

Onde a IA já está sendo usada de fato

Quando o estudo analisa a exposição observada — ou seja, o uso real da inteligência artificial no trabalho — algumas áreas se destacam.

Os setores com maior adoção atual da IA são:

  • informática e matemática: 35,8%

  • escritório e administração: 34,3%

  • negócios e finanças: 28,4%

  • vendas: 26,9%

  • setor jurídico: 20,4%

  • artes e mídia: 19,2%

  • educação e bibliotecas: 18,2%

Embora esses números sejam relevantes, eles ainda estão bem abaixo do potencial teórico identificado no estudo. Isso indica que a tecnologia ainda tem espaço para expansão.

As profissões mais expostas à inteligência artificial

O relatório também analisou profissões específicas para identificar onde o impacto da IA já é mais visível.

Entre as ocupações com maior exposição observada estão:

  • programadores de software: 74,5%

  • atendentes de suporte ao cliente: 70,1%

  • operadores de entrada de dados: 67,1%

  • especialistas em registros médicos: 66,7%

  • analistas de pesquisa de mercado e marketing: 64,8%

  • representantes de vendas no setor industrial: 62,8%

Essas profissões compartilham uma característica comum: grande parte do trabalho envolve processamento de informação, análise de dados ou comunicação escrita.

Quem está mais exposto ao impacto da IA

O estudo também revela um perfil interessante dos trabalhadores nas ocupações mais expostas.

Segundo os dados analisados pela Anthropic, esses profissionais tendem a:

  • ter idade média mais elevada

  • possuir maior nível educacional

  • receber salários mais altos

  • ser, proporcionalmente, mais mulheres

Apesar dessa exposição crescente, o relatório não encontrou evidências de aumento sistemático de desemprego nesses setores desde o final de 2022, quando os modelos de linguagem começaram a se popularizar.

No entanto, os pesquisadores identificaram um sinal que merece atenção: a contratação de profissionais mais jovens nessas áreas parece ter desacelerado.

Isso pode indicar que as empresas estão ajustando suas estratégias de contratação à medida que a inteligência artificial passa a assumir parte das tarefas.

Para os autores do estudo, o cenário atual ainda representa apenas o começo de uma transformação que pode levar anos para atingir seu impacto máximo.

 

[ Fonte: Euronews ]

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