A inteligência artificial continua evoluindo em ritmo acelerado, mas seu futuro não depende apenas de modelos cada vez maiores. Para Jeff Dean, cientista-chefe do Google e uma das principais referências mundiais em IA, a próxima revolução será impulsionada por sistemas mais eficientes, agentes autônomos e pela capacidade de resolver problemas específicos com maior precisão.
Durante sua participação no Startup School 2026, organizado pela Y Combinator, Dean compartilhou sua visão sobre os desafios e oportunidades que devem transformar o desenvolvimento da inteligência artificial nos próximos anos.
Ao lado de Diana Hu, o executivo destacou que automação, engenharia de contexto, hardware especializado e o julgamento humano serão os principais pilares da próxima fase da IA.
A regra de 1% para encontrar oportunidades
Um dos conceitos apresentados por Jeff Dean foi a chamada “regra de 1%”, voltada para empreendedores e desenvolvedores.
Segundo ele, vale a pena buscar áreas nas quais os modelos de IA atuais conseguem resolver apenas cerca de 1% dos problemas existentes.
Quando uma tecnologia já alcança taxas próximas de 20% de sucesso, a tendência é que evolua rapidamente e passe a competir naquele mercado. Já quando o desempenho ainda é muito baixo, existe uma oportunidade maior para desenvolver soluções altamente especializadas.
Como exemplo, Dean citou o AlphaFold, sistema desenvolvido para prever o dobramento de proteínas, que se tornou uma referência ao resolver um problema científico extremamente complexo e específico.
IA capaz de melhorar a si mesma

Outro tema abordado foi o avanço dos sistemas de aprendizado de máquina capazes de se aperfeiçoar de forma autônoma.
Segundo Dean, a inteligência artificial caminhará para modelos que conseguem experimentar diferentes estratégias, dividir problemas complexos em etapas menores e otimizar continuamente seu próprio desempenho.
Essa evolução deve acelerar pesquisas científicas e projetos de engenharia, reduzindo significativamente o tempo necessário para desenvolver novas soluções.
Hoje, agentes de IA já conseguem executar tarefas complexas, como reescrever softwares inteiros em diferentes linguagens de programação para aumentar desempenho, segurança ou compatibilidade.
Em alguns casos, esses processos podem durar dias ou semanas sem necessidade de intervenção humana direta.
Hardware eficiente será fundamental
Para Jeff Dean, o futuro da inteligência artificial também depende da evolução do hardware.
Ele explicou que transportar dados pode consumir até mil vezes mais energia do que realizar os próprios cálculos.
Por isso, o desenvolvimento de chips especializados capazes de processar informações localmente tornou-se um dos principais desafios da indústria.
Esse foi justamente o motivo que levou o Google a criar os TPUs (Tensor Processing Units), processadores desenvolvidos especificamente para acelerar modelos de inteligência artificial, reduzindo tanto o consumo energético quanto o tempo de resposta.
A engenharia de contexto ganha protagonismo
Segundo Dean, o avanço da IA não será determinado apenas pelo tamanho dos modelos ou pela quantidade de dados utilizados durante o treinamento.
O diferencial estará na chamada engenharia de contexto, conceito que combina modelos avançados com ferramentas externas, sistemas de recuperação de informações, APIs e agentes inteligentes capazes de coordenar tarefas complexas.
Essa abordagem permite que equipes relativamente pequenas desenvolvam aplicações sofisticadas utilizando modelos já existentes, concentrando seus esforços na integração de ferramentas e na construção de habilidades específicas para cada agente.
O especialista explicou que esses “skills” tornam os agentes mais eficientes em atividades como desenvolvimento de software, revisão de código, pesquisa e automação de processos.
O julgamento humano continuará sendo essencial

Apesar do avanço da automação, Jeff Dean acredita que uma das competências mais valiosas continuará sendo exclusivamente humana.
Segundo ele, definir quais problemas realmente merecem ser resolvidos e elaborar especificações claras continuará sendo uma habilidade estratégica.
“O segredo está em ter bom senso para decidir em que trabalhar e como orientar os agentes”, afirmou durante a conversa.
Dean também aconselhou empreendedores e desenvolvedores a escolher projetos pelos quais sintam verdadeira motivação e que possam gerar impacto positivo.
Para ele, a principal pergunta deve ser simples: se o projeto der certo, o mundo será um lugar melhor por causa do que foi construído? Essa visão, segundo o cientista, continuará sendo um dos fatores mais importantes para orientar o desenvolvimento da inteligência artificial nos próximos anos.
[ Fonte: Infobae ]