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Ciência

Antioxidantes: aliados do coração, da mente e da longevidade — mas em que quantidade?

Eles combatem o envelhecimento, reduzem o risco de doenças e fortalecem as células. Mas, apesar da fama de “milagrosos”, os antioxidantes ainda levantam uma dúvida essencial: qual é a quantidade ideal? Pesquisas mostram que o segredo está menos em suplementos e mais em uma dieta colorida, variada e equilibrada.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Presentes em frutas, verduras, grãos, especiarias e até no café, os antioxidantes são substâncias que neutralizam os chamados oxidantes — compostos que podem danificar as células, as proteínas e até o DNA. O equilíbrio entre ambos define parte da nossa saúde. Quando esse equilíbrio se rompe, surge o estresse oxidativo, relacionado ao envelhecimento precoce e a doenças graves como câncer, diabetes e Alzheimer.

O que são e por que são essenciais

Descongelar Alimentos
© FreePik

Como o próprio nome indica, os antioxidantes “antagonizam” os oxidantes. Estes últimos surgem naturalmente durante processos como respiração, digestão e produção de energia, mas também por exposição à poluição, radiação e inflamações.

Já os antioxidantes — que incluem vitaminas, minerais e fitoquímicos — atuam como uma linha de defesa. Eles “doam” elétrons para estabilizar os radicais livres, impedindo que causem estragos nas células. O corpo humano produz parte dessas substâncias, mas a alimentação é a principal fonte.

Suplementos não são a solução

Estudos mostram que antioxidantes em cápsulas não oferecem os mesmos benefícios dos encontrados nos alimentos. Pesquisas com altas doses de vitamina A, por exemplo, mostraram aumento de mortalidade e até efeitos contrários, favorecendo o estresse oxidativo.

A razão é simples: em excesso, o antioxidante pode virar oxidante. Por isso, especialistas recomendam priorizar alimentos integrais, ricos em nutrientes que interagem naturalmente entre si, e evitar suplementos isolados sem orientação médica.

O poder das cores no prato

Duas famílias de compostos naturais merecem destaque:

  • Carotenóides, responsáveis pelas cores amarela, laranja e vermelha, como o beta-caroteno (cenoura), licopeno (tomate) e luteína (espinafre).

  • Flavonoides, como as antocianinas, que dão tons azuis, roxos e vermelhos a frutas como mirtilos, amoras e romãs.

Essas substâncias agem em conjunto, protegendo o organismo contra inflamações, envelhecimento celular e doenças cardiovasculares. Quanto mais colorido o prato, maior a variedade de antioxidantes consumidos.

Os alimentos campeões

Alimentos Saudaveis
© Alexandr Podvalny – Unsplash

Um levantamento de 2018 analisou mais de 3.100 alimentos e mediu sua capacidade de neutralizar oxidantes. Entre os destaques:

  • Mirtilos: cerca de 9 mmol por 100 g

  • Romãs e amoras: 6,5 mmol

  • Alcachofra cozida: 4,5 mmol

  • Couve-roxa: 4 mmol

  • Café: 2,5 mmol

  • Nozes pecãs: 9,7 mmol

  • Sementes de girassol: 5 mmol

As ervas e especiarias também impressionam: o cravo lidera com incríveis 465 mmol por 100 g, seguido por alecrim (67 mmol) e tomilho (64 mmol). Mesmo em pequenas quantidades, temperos têm um impacto antioxidante poderoso.

Diversidade e preparo fazem a diferença

Nem todo alimento da mesma espécie tem a mesma quantidade de antioxidantes. O solo, o clima, o modo de cultivo e o tempo de armazenamento alteram sua composição. Além disso, o preparo pode tanto reduzir quanto potencializar seu efeito.

Legumes e verduras cozidos, como espinafre e couve, tendem a liberar compostos antioxidantes que ficam presos nas fibras. Já o armazenamento prolongado e o aquecimento excessivo podem degradar parte dos nutrientes.

Como identificar no rótulo

Os rótulos costumam listar vitaminas A, C, E, D, B2, B3 e B9, além de minerais como selênio, zinco e manganês, todos com ação antioxidante. No entanto, nem todos os nutrientes precisam ser informados por lei, o que limita o uso do rótulo como guia completo.

Uma regra simples ajuda: quanto mais natural, fresco e colorido o alimento, maior o potencial antioxidante.

A dose ideal: equilíbrio, não exagero

Não há um número mágico de gramas ou miligramas diários — o segredo está no equilíbrio. Dietas ricas em vegetais, frutas, grãos integrais, castanhas e especiarias já garantem o aporte necessário. Em vez de buscar superdoses, o ideal é diversificar o consumo e reduzir as fontes de oxidantes, como cigarro, poluição e alimentos ultraprocessados.

 

[ Fonte: The Conversation  ]

 

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