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Ciência

Após séculos submerso, navio perdido de James Cook pode ter sido finalmente encontrado

Depois de 250 anos de mistério, arqueólogos acreditam ter localizado o lendário HMS Endeavour, embarcação que levou James Cook a explorar a costa australiana. Identificado no fundo do mar dos EUA, o navio tem causado entusiasmo e controvérsias no meio científico, com detalhes surpreendentes que fortalecem a hipótese de sua origem histórica.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Poucas embarcações são tão simbólicas quanto o HMS Endeavour, navio que protagonizou a primeira grande viagem do explorador britânico James Cook. Desaparecido por mais de dois séculos, o navio pode finalmente ter sido identificado, trazendo à tona um capítulo perdido da história marítima — mas também gerando debates entre instituições envolvidas na descoberta.

A trajetória do navio que fez história

Após séculos submerso, navio perdido de James Cook pode ter sido finalmente encontrado
© https://x.com/evenmoredan

Construído com fins científicos, o HMS Endeavour navegou entre 1768 e 1771 sob o comando de James Cook, tornando-se o primeiro navio europeu a alcançar a costa leste da Austrália e a circunavegar a Nova Zelândia. Após sua missão exploratória, foi reconfigurado como navio de carga militar, rebatizado como Lord Sandwich e acabou afundado intencionalmente em 1778 durante a Guerra da Independência dos EUA, como parte de uma barreira naval britânica.

Desde então, os restos do navio permaneceram no fundo do porto de Newport, em Rhode Island. E agora, arqueólogos do Museu Marítimo Nacional Australiano (ANMM) acreditam ter confirmado sua identidade.

Evidências que apontam para o HMS Endeavour

A confirmação veio após anos de escavações e comparações meticulosas. Os destroços do chamado RI 2394 coincidem em diversos detalhes com os registros originais do Endeavour, como a estrutura dos mastros e uma peça única de junção chamada “lenço do caule”, nunca vista em outras embarcações do mesmo período.

Testes na madeira revelaram origem britânica, alinhando-se a documentos que registram reparos no navio em 1776. Mesmo sem artefatos marcantes, como o sino do navio, a equipe afirma que o conjunto de evidências é suficiente para associá-lo ao navio de Cook.

Conflito entre instituições e mistério que persiste

Apesar da empolgação australiana, o Projeto de Arqueologia Marinha de Rhode Island (RIMAP), que também participa da pesquisa, criticou a divulgação inicial feita em 2022, alegando quebra de acordos e precipitação nas conclusões. O ANMM reconheceu o trabalho dos colegas americanos, mas reforçou que todos os indícios apontam para o lendário navio.

Mesmo sem relíquias visíveis, a equipe acredita firmemente na identificação. Como resumiu o arqueólogo James Hunter: “Não haverá uma placa dizendo ‘Cook esteve aqui’, mas tudo o que encontramos reforça essa história — e nada a contradiz”.

A descoberta reacende o fascínio por um dos mais emblemáticos navios da era das explorações e mostra como, mesmo séculos depois, a arqueologia ainda pode surpreender.

[Fonte: Último Segundo]

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