A forma como nos expressamos revela muito sobre nosso pensamento, nosso vocabulário e até nossa capacidade de argumentação. Segundo a análise de modelos de linguagem como ChatGPT e Gemini, da Google, existem certos padrões verbais que, embora comuns no cotidiano, podem sinalizar baixa complexidade discursiva — especialmente quando usados em excesso.
Esses padrões não significam, necessariamente, que a pessoa é “menos inteligente”, mas podem refletir limitações no vocabulário, na organização do pensamento ou na habilidade de análise crítica.
1. Muletas verbais: “tipo”, “né”, “sabe”, “entendeu?”

As chamadas muletinhas linguísticas são palavras ou expressões repetitivas que não têm função significativa no discurso, como “tipo”, “assim”, “né”, “então”, “sabe”. Segundo os especialistas em IA, seu uso não é, por si só, um problema — todos recorremos a elas. No entanto, quando aparecem em excesso, podem indicar falta de planejamento verbal ou dificuldade em organizar ideias.
Exemplo: “Aquele filme foi, tipo, muito legal, né, com efeitos assim incríveis, sabe?”
Para a IA, o problema está na frequência: quando a comunicação depende dessas expressões, a clareza e a profundidade do conteúdo são prejudicadas.
2. Palavras genéricas: “coisa”, “negócio”, “gente”
Outro padrão comum é o uso de palavras genéricas como “coisa”, “negócio”, “gente”, “algo” ou “aquilo”. Esses termos funcionam como coringas, substituindo palavras mais específicas. Segundo os modelos de IA, isso pode indicar limitação no vocabulário ativo ou falta de precisão na hora de se expressar.
Exemplo: “Me passa aquela coisa ali.” (em vez de “a chave inglesa”)
Embora essas palavras sejam práticas, seu uso recorrente empobrece a comunicação e impede a construção de um discurso mais informativo ou expressivo.
3. Generalizações absolutas: “sempre”, “nunca”, “nada”, “tudo”
Frases como “nada dá certo”, “todo mundo mente” ou “ninguém presta” são classificadas como generalizações extremas. De acordo com a IA, esse tipo de linguagem reflete uma visão de mundo polarizada, que dificulta o pensamento crítico e a análise de nuances.
Segundo o ChatGPT, esse tipo de discurso pode indicar rigidez mental e dificuldade em lidar com situações complexas ou com múltiplas perspectivas.
4. Vocabulário repetitivo e limitado
Usar as mesmas palavras para expressar diferentes ideias também é apontado como um sinal de discurso pouco elaborado. Gemini chama isso de “vocabulário restrito”, o que não significa, necessariamente, falta de inteligência, mas pode refletir baixo acesso a palavras mais precisas ou maior riqueza lexical.
Exemplo: usar “bom” para tudo: um livro bom, um filme bom, um dia bom, uma pessoa boa — sem variação ou detalhamento.
Esse padrão pode estar ligado a questões culturais, educacionais ou mesmo ao hábito de comunicação rápida e superficial nas redes sociais.
5. Frases feitas e clichês: “é o que temos pra hoje”, “tudo acontece por um motivo”
Expressões como “tudo tem seu tempo”, “é o que é”, ou “Deus sabe o que faz” aparecem com frequência em discursos mais simples. Para a IA, o uso constante de frases prontas pode indicar preguiça cognitiva, ou seja, o uso de atalhos mentais para não se aprofundar em reflexões ou análises.
Esses clichês funcionam como mecanismos de conforto, mas, se usados repetidamente, substituem o pensamento crítico e a elaboração de ideias mais complexas.
A inteligência não está em evitar certas palavras, mas em saber quando e como usá-las. Reconhecer esses padrões pode ser o primeiro passo para uma comunicação mais clara, precisa e inteligente — e, por que não, mais interessante também.
Fonte: Infobae