Depois de passar por uma amigdalectomia na infância, Katy Golden pensou que nunca mais teria problemas com as amígdalas. No entanto, mais de 40 anos depois, uma forte dor de garganta levou à descoberta surpreendente: suas amígdalas haviam crescido novamente. Esse caso raro levanta questões sobre os riscos de crescimento após cirurgias parciais e as novas técnicas médicas que buscam evitar esse problema.
O Papel das Amígdalas e a Necessidade da Cirurgia
As amígdalas são duas massas de tecido linfático localizadas no fundo da garganta, atuando como uma barreira de defesa contra infecções. No entanto, em algumas pessoas, elas podem causar problemas crônicos, como infecções recorrentes ou até mesmo obstrução das vias aéreas durante o sono. Por isso, muitos médicos recomendam a remoção das amígdalas ainda na infância para evitar complicações futuras.
No caso de Golden, sua primeira cirurgia ocorreu em 1983, quando tinha apenas cinco anos, para tratar problemas no ouvido. O procedimento foi considerado um sucesso na época, e ela não teve complicações imediatas. Contudo, ao longo dos anos, começou a perceber flaps de tecido na garganta que frequentemente inflamavam quando contraía infecções respiratórias.
A Descoberta Surpreendente
Em 2024, Golden procurou um otorrinolaringologista após sofrer com uma dor de garganta intensa. Para sua surpresa, o médico descobriu que suas amígdalas haviam crescido novamente. “Eu não pensei que isso fosse possível. Fiquei em choque ao saber que as amígdalas, que eu acreditava terem sido removidas, estavam causando minha dor”, disse Golden à CNN.
Embora raro, o crescimento das amígdalas pode ocorrer em até 6% dos casos após uma remoção parcial. Fatores como infecções respiratórias frequentes, dieta rica em açúcar e idade precoce no momento da cirurgia podem aumentar o risco de regeneração do tecido.
Técnicas Cirúrgicas e o Risco de Recrescimento
Nos anos 1980, a remoção das amígdalas era frequentemente feita com bisturis e ferramentas de corte tradicionais, conhecidas como “técnicas a frio”. Atualmente, muitos cirurgiões preferem técnicas mais modernas, como a coblação, que utiliza energia de radiofrequência para remover o tecido de forma mais precisa e com menos dor no pós-operatório.
A Dra. Cynthia Hayes, responsável pela segunda cirurgia de Golden, optou por uma abordagem mais minuciosa. “Dessa vez, removi toda a cápsula das amígdalas para garantir que elas não voltassem a crescer”, explicou a especialista.
Recuperação e Perspectivas
A recuperação de Golden foi mais dolorosa do que na infância, algo comum em pacientes adultos submetidos à amigdalectomia. Ainda assim, ela encontrou conforto em um velho hábito: mascar chicletes, o que ajudou na cicatrização da garganta. Agora, espera ter menos problemas com dores de garganta no futuro.
Este caso reforça a importância de escolher a técnica cirúrgica correta e monitorar possíveis sinais de crescimento do tecido ao longo dos anos. Embora raro, o recrescimento das amígdalas pode causar desconforto e exigir novas intervenções médicas, como aconteceu com Golden.
Fonte: Gizmodo US