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Ciência

Asteroide pode guardar a “molécula da felicidade”, diz Nasa

A ideia parece saída de ficção científica, mas é real: cientistas da missão OSIRIS-REx podem ter encontrado no asteroide Bennu um dos ingredientes fundamentais para produzir serotonina — o neurotransmissor conhecido como “hormônio da felicidade”. A descoberta reacende uma hipótese intrigante: a de que parte dos componentes da vida pode ter chegado à Terra viajando pelo espaço.
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Tempo de leitura: 2 minutos

O que a missão encontrou no asteroide Bennu

Segundo informações do site Science Alert, pesquisadores da Nasa e da Universidade do Arizona identificaram traços de triptofano nas amostras coletadas do Bennu. O triptofano é um aminoácido essencial, ou seja, o corpo humano não consegue produzi-lo sozinho. Ele precisa vir da alimentação, de suplementos ou, neste caso, talvez de muito mais longe do que imaginávamos.

O triptofano é o principal precursor da serotonina, a molécula que regula humor, bem-estar e até funções do sono. Ele também dá origem à melatonina, hormônio ligado ao ciclo do sono. Por isso a descoberta chama tanto a atenção: trata-se de uma das peças-chave da bioquímica humana.

Por que o achado é tão importante

Asteroide pode guardar a “molécula da felicidade”, diz Nasa
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Se confirmado, este seria o primeiro registro de triptofano em uma amostra extraterrestre — e pode reforçar a teoria de que compostos orgânicos essenciais vieram do espaço na fase inicial da Terra. Essa hipótese sugere que asteroides e cometas carregavam moléculas probióticas, depositadas aqui por impactos que ajudaram a iniciar processos químicos básicos da vida.

“Expandimos as evidências de que moléculas orgânicas probióticas podem se formar em corpos planetários via acreção”, explicou Angel Mojarro, geoquímico e líder da pesquisa no Centro Espacial Goddard. Ele destaca que esses materiais podem ter chegado ao planeta nos primeiros estágios da história terrestre, abrindo caminho para as primeiras reações químicas ligadas à vida.

O que vem agora na análise da Nasa

A equipe de Mojarro segue examinando o material do Bennu de forma mais detalhada. O foco agora está em outros aminoácidos e bases nitrogenadas — os “tijolos” que formam proteínas e ácidos nucleicos. A meta é entender como funcionava a química extraterrestre do asteroide, considerado tão antigo quanto o próprio Sistema Solar.

Se o triptofano realmente estiver presente, a descoberta não só reforça a importância científica da missão OSIRIS-REx como também nos ajuda a entender melhor a origem da vida.

Afinal, se moléculas ligadas ao bem-estar humano vieram do espaço, talvez nossa história seja ainda mais cósmica do que imaginávamos. A análise completa das amostras deve revelar se essa pista é o começo de algo maior.

[Fonte: Correio Braziliense]

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