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Ciência

Astrônomos descobrem uma nova “superterra” a 91 anos-luz: o planeta tem menos de sete vezes a massa da Terra e completa uma órbita em apenas 61 dias

Um novo planeta do tipo superterra foi identificado orbitando uma estrela próxima do nosso sistema. A descoberta, liderada pelo Instituto de Astrofísica de Canárias, amplia o número de mundos conhecidos nesse sistema estelar e revela como observações prolongadas podem revelar planetas pequenos e difíceis de detectar.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A busca por planetas semelhantes à Terra continua revelando novos mundos espalhados pela galáxia. Agora, um grupo internacional de cientistas identificou uma nova superterra orbitando a estrela HD 176986, localizada a cerca de 91 anos-luz da Terra. O planeta foi detectado após anos de observações precisas e amplia para três o número de mundos conhecidos nesse sistema estelar. A descoberta ajuda a entender melhor como planetas relativamente pequenos se formam e evoluem em torno de estrelas semelhantes ao Sol.

Um novo planeta em um sistema já conhecido

Um sistema planetário perto da Terra está forçando a ciência a repensar tudo
© https://x.com/DboraMonte328

A estrela HD 176986, uma anã laranja do tipo K ligeiramente menor que o Sol, já era conhecida por abrigar dois planetas desde 2018. Naquele ano, pesquisadores identificaram os mundos HD 176986 b e HD 176986 c, que orbitam a estrela em períodos relativamente curtos de 6,5 e 16,8 dias.

O novo planeta, batizado de HD 176986 d, amplia esse sistema planetário. Ele possui uma massa mínima inferior a sete vezes a massa da Terra, o que o coloca na categoria das chamadas superterras — planetas mais massivos que o nosso, mas muito menores que gigantes gasosos como Júpiter ou Saturno.

Esse mundo completa uma volta em torno de sua estrela a cada 61,4 dias, seguindo uma órbita mais distante que a dos dois planetas anteriormente conhecidos.

Superterras raras com órbitas mais longas

Embora milhares de exoplanetas já tenham sido descobertos, mundos com características semelhantes às de HD 176986 d continuam sendo relativamente raros.

Segundo os pesquisadores, apenas cerca de uma dúzia de planetas conhecidos possuem períodos orbitais superiores a 50 dias e massa inferior a sete vezes a da Terra. Isso ocorre porque planetas pequenos e mais afastados de suas estrelas produzem sinais muito fracos nos dados observacionais.

Detectá-los exige anos de observação contínua e um grande volume de medições de alta precisão.

Foi exatamente isso que permitiu encontrar o novo planeta. Os cientistas acompanharam a estrela durante vários anos até que a assinatura gravitacional do terceiro mundo finalmente emergisse dos dados.

Um desafio: separar planetas da atividade da estrela

Um dos maiores desafios na busca por exoplanetas é determinar se os sinais observados realmente indicam um planeta ou se são causados pela atividade natural da estrela.

Estrelas podem apresentar manchas, variações magnéticas ou outros fenômenos que geram sinais semelhantes aos produzidos por planetas orbitando ao seu redor.

Por isso, os pesquisadores realizaram diversos testes para descartar a possibilidade de que a detecção estivesse relacionada a processos estelares.

Após múltiplas análises, o sinal manteve todas as características esperadas de um planeta.

Tecnologia avançada para encontrar sinais extremamente fracos

A descoberta também foi possível graças ao uso de técnicas avançadas de análise de dados. Uma das ferramentas utilizadas foi o sistema YARARA, desenvolvido para limpar os espectros da estrela e remover fontes de ruído que poderiam mascarar ou imitar sinais planetários.

Esse tipo de correção é essencial quando se busca detectar mundos pequenos, cuja influência gravitacional sobre a estrela é extremamente sutil.

Mesmo após as correções aplicadas pela ferramenta, o sinal do planeta permaneceu claramente visível, reforçando a confirmação da descoberta.

Mais de 350 noites de observação

O planeta foi detectado usando o método de velocidade radial, uma técnica que mede pequenas oscilações no movimento da estrela causadas pela atração gravitacional dos planetas que a orbitam.

Para isso, os cientistas reuniram dados obtidos ao longo de mais de 350 noites de observação com alguns dos espectrógrafos mais precisos do mundo.

Entre eles estão o HARPS e o ESPRESSO, instalados em telescópios no Chile, além do HARPS-N, localizado no Telescópio Nazionale Galileo no Observatório do Roque de los Muchachos, nas Ilhas Canárias.

Esses instrumentos conseguem detectar variações extremamente pequenas na velocidade das estrelas, permitindo revelar planetas que, de outra forma, permaneceriam invisíveis.

Um passo a mais na busca por mundos semelhantes à Terra

Rotação Da Terra2
© A. Smith – N. Mandhusudhan

A descoberta de HD 176986 d demonstra como observações de longo prazo continuam sendo fundamentais para revelar planetas pequenos em sistemas próximos.

Esses mundos são especialmente importantes para a ciência porque ajudam a compreender a diversidade de planetas existentes na galáxia e os processos que levam à formação de sistemas planetários.

Cada novo planeta encontrado amplia o catálogo de mundos conhecidos e fornece pistas adicionais sobre como surgiram planetas rochosos como a Terra — e quantos deles podem existir espalhados pela Via Láctea.

 

[ Fonte: El Cronista ]

 

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