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Ciência

Astrônomos encontram algo saindo de um buraco negro em velocidade tão absurda que desafia comparações terrestres

Um objeto distante revelou um fenômeno extremo que deixou cientistas impressionados. A descoberta pode ajudar a explicar como alguns dos eventos mais poderosos do universo moldam galáxias inteiras.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O universo acaba de entregar mais uma demonstração de sua capacidade de desafiar a imaginação humana. Observando um objeto localizado a bilhões de anos-luz da Terra, pesquisadores encontraram um fenômeno tão intenso que até mesmo os astrônomos acostumados a estudar eventos extremos ficaram surpresos. O que foi detectado ao redor de um gigantesco buraco negro não apenas bateu recordes, mas também abriu uma nova janela para compreender algumas das forças mais energéticas conhecidas pela ciência.

Um gigante cósmico escondia um fenômeno sem precedentes

Astrônomos encontram algo saindo de um buraco negro em velocidade tão absurda que desafia comparações terrestres
© NASA

A descoberta aconteceu durante observações de um quasar conhecido como J2318, localizado a cerca de três bilhões de anos-luz da Terra. Os quasares estão entre os objetos mais brilhantes do cosmos e funcionam como verdadeiros faróis galácticos, alimentados pela atividade de buracos negros supermassivos.

No centro de J2318 existe um buraco negro com massa estimada em 1,7 bilhão de vezes a do Sol. Embora números dessa magnitude já sejam impressionantes por si só, o que realmente chamou a atenção dos pesquisadores foi algo acontecendo ao redor desse monstro cósmico.

Os cientistas detectaram ventos sendo lançados para o espaço a aproximadamente 323 milhões de quilômetros por hora, uma velocidade equivalente a cerca de 30% da velocidade da luz. Segundo os pesquisadores, trata-se do vento mais rápido já identificado em comprimentos de onda ultravioleta associado a um buraco negro.

Para ajudar o público a visualizar a dimensão do fenômeno, o pesquisador Lucas Seaton, da Universidade de York, no Canadá, comparou o evento a um hipotético furacão de categoria 79. A analogia serve apenas para ilustrar sua intensidade, já que não existe nada remotamente parecido em nosso planeta.

Como um buraco negro consegue lançar ventos tão rápidos

Apesar da fama de devoradores cósmicos, os buracos negros também podem provocar alguns dos fenômenos mais violentos do universo ao seu redor.

Antes de ser engolido, o gás e a poeira que orbitam um buraco negro formam uma estrutura chamada disco de acreção. Nesse ambiente, a matéria gira em velocidades extremas e sofre efeitos intensos de atrito e forças gravitacionais gigantescas.

O resultado é um aquecimento colossal que faz o material emitir enormes quantidades de energia em diferentes comprimentos de onda. Essa radiação produzida pelo quasar não apenas ilumina o espaço, mas também exerce pressão sobre o gás próximo.

É justamente essa pressão que empurra parte da matéria para longe do buraco negro, gerando ventos extremamente velozes.

Segundo Seaton, os ventos observados em J2318 atingem velocidades impressionantes na faixa ultravioleta do espectro eletromagnético. Embora existam registros de ventos ainda mais rápidos detectados em raios X, nenhum outro fenômeno semelhante havia sido observado tão velozmente nessa faixa específica de luz.

A descoberta pode ajudar a desvendar mistérios do universo

Os ventos produzidos por quasares funcionam de maneira muito diferente dos ventos que conhecemos na Terra. Aqui, correntes de ar surgem por diferenças de pressão atmosférica. No espaço, o motor é a própria luz.

Partículas chamadas fótons colidem constantemente com os átomos presentes no gás ao redor do quasar. A cada impacto, parte da energia é transferida para a matéria, acelerando-a até velocidades extraordinárias.

Entender exatamente como esse processo ocorre, porém, continua sendo um desafio para a ciência. Isso porque a mesma radiação que acelera o gás também pode arrancar elétrons dos átomos, alterando suas propriedades e dificultando as observações.

É justamente por isso que J2318 se tornou um objeto tão valioso para os astrônomos. O sistema oferece uma oportunidade rara de estudar como a energia liberada por buracos negros supermassivos influencia o ambiente ao seu redor.

Esses processos não afetam apenas regiões próximas ao buraco negro. Em muitos casos, eles podem alterar a evolução de galáxias inteiras, regulando a formação de estrelas e redistribuindo enormes quantidades de matéria pelo cosmos.

Ao investigar fenômenos como esse, os cientistas esperam compreender melhor como algumas das maiores estruturas do universo surgiram e evoluíram ao longo de bilhões de anos.

[Fonte: AH]

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