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Tecnologia

A HBO Max está copiando um dos truques mais viciantes do TikTok e isso pode mudar como você escolhe o que assistir

Encontrar a próxima série pode estar prestes a ficar muito parecido com navegar pelas redes sociais. A HBO Max começou a testar duas ferramentas que transformam completamente a descoberta de conteúdo.
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Tempo de leitura: 5 minutos

Você abre um streaming decidido a assistir alguma coisa, passa vários minutos navegando pelo catálogo e, no fim, acaba no TikTok procurando recomendações. Esse comportamento se tornou um problema para as plataformas, que possuem milhares de títulos, mas nem sempre conseguem fazer o usuário encontrá-los. A HBO Max decidiu atacar essa dificuldade usando uma fórmula bastante familiar: vídeos verticais, rolagem infinita, inteligência artificial e uma busca capaz de entender perguntas como uma conversa.

O catálogo da HBO Max agora pode ser explorado como o TikTok

A HBO Max está copiando um dos truques mais viciantes do TikTok e isso pode mudar como você escolhe o que assistir
© Unsplash

A principal novidade recebe um nome bastante direto: HBO Max Shorts.

Trata-se de um novo feed vertical no qual o usuário pode deslizar continuamente pela tela enquanto assiste a cenas selecionadas do catálogo da plataforma. A experiência lembra imediatamente TikTok, Instagram Reels e YouTube Shorts, mas existe uma diferença fundamental: tudo que aparece pertence ao universo da própria HBO Max.

O acesso acontece por meio de um ícone específico de “Shorts” localizado no menu inferior de navegação.

Dentro dele aparecem trailers, trechos de produções e conteúdos adicionais escolhidos levando em consideração o histórico de reprodução do assinante.

A ideia é transformar a busca tradicional por algo para assistir em uma experiência muito mais rápida e visual.

Se determinado trecho despertar interesse durante a rolagem, não é necessário abandonar o feed e procurar manualmente pelo título. O usuário pode acessar diretamente o episódio ou filme completo.

Também é possível adicionar a produção à seção “Minha lista” sem interromper a navegação.

A função começou a ser liberada para um grupo selecionado de usuários do iOS nos Estados Unidos. A expectativa é de uma expansão posterior para outros dispositivos e mercados.

Mas selecionar milhares de cenas capazes de prender a atenção exigiria uma quantidade gigantesca de trabalho humano. É aí que entra outra tecnologia.

Uma inteligência artificial procura as cenas mais interessantes

Nos bastidores do HBO Max Shorts existe uma ferramenta interna baseada em inteligência artificial.

O sistema analisa metadados em nível de cena ao longo de milhares de horas disponíveis no catálogo da plataforma e procura identificar momentos considerados particularmente relevantes ou impactantes.

Isso não significa, entretanto, que um algoritmo tenha recebido controle absoluto sobre aquilo que aparece no feed.

A decisão final continua nas mãos de editores humanos.

São eles que avaliam quais cenas realmente funcionam naquele formato e, principalmente, quais momentos poderiam revelar informações importantes demais sobre uma série ou filme.

Essa combinação permite automatizar parte de uma tarefa que seria gigantesca, mas preservando uma camada editorial para impedir que o feed se transforme em uma coleção aleatória de cenas ou, pior, em uma máquina de spoilers.

O objetivo é aproveitar uma característica que tornou os vídeos curtos extremamente eficientes para descoberta: bastam poucos segundos para que alguma coisa desperte curiosidade.

Só que a HBO Max não está tentando mudar apenas a maneira como as pessoas navegam pelo catálogo.

Outra experiência em testes quer transformar completamente aquilo que acontece quando alguém digita na caixa de pesquisa.

A busca começa a entender perguntas que parecem uma conversa

A HBO Max está copiando um dos truques mais viciantes do TikTok e isso pode mudar como você escolhe o que assistir
© Pexels

Ao lado do Shorts, a plataforma também iniciou os testes de uma ferramenta experimental chamada Ask HBO Max.

Nesse primeiro momento, a novidade chega ao Android e está limitada a usuários adultos nos Estados Unidos.

A diferença para uma busca tradicional está na forma como o sistema interpreta aquilo que foi escrito.

Em vez de depender exclusivamente de palavras-chave exatas, a ferramenta utiliza linguagem natural para tentar compreender a intenção do assinante.

Isso significa que procurar pelo nome de um ator, diretor ou produção deixa de ser a única maneira eficiente de encontrar alguma coisa.

O usuário poderia escrever algo como “drama sobre uma família disfuncional” ou perguntar qual seria “o melhor filme para uma noite entre amigas”.

A plataforma tenta interpretar a ideia por trás da frase e apresentar produções compatíveis disponíveis dentro do próprio catálogo.

É uma mudança aparentemente pequena, mas que ataca uma das maiores dificuldades dos serviços de streaming.

Muitas vezes, a pessoa sabe exatamente o tipo de experiência que procura, mas não sabe o nome do filme ou da série capaz de oferecê-la.

A busca conversacional tenta preencher justamente essa lacuna.

O verdadeiro problema dos streamings está fora dos streamings

Segundo Liesel Kipp, executiva de produto da HBO Max, as duas ferramentas partem de comportamentos que os assinantes já possuem.

As pessoas estão acostumadas a descobrir produções assistindo a vídeos curtos e também a formular perguntas informais quando querem recomendações.

O problema para as plataformas é que boa parte disso acontece fora de seus aplicativos.

TikTok, Instagram, YouTube e outras redes se transformaram em mecanismos poderosos de descoberta de filmes e séries. Um trecho viral pode ressuscitar uma produção antiga, transformar uma cena em fenômeno cultural ou convencer milhões de pessoas a começar uma série.

Para o streaming, existe uma inconveniência óbvia nessa dinâmica: o usuário precisa sair do aplicativo para descobrir aquilo que poderia assistir dentro dele.

O HBO Max Shorts tenta encurtar esse caminho.

Em vez de lutar contra o hábito de deslizar compulsivamente por pequenos vídeos, a plataforma simplesmente transporta esse comportamento para seu próprio ambiente.

A busca conversacional segue uma lógica semelhante, aproximando a pesquisa do tipo de pergunta que alguém faria para um amigo ou para uma inteligência artificial.

Escolher uma série pode estar virando entretenimento por si só

Durante anos, os serviços de streaming concentraram seus esforços em construir catálogos gigantescos. O desafio seguinte foi descobrir como apresentar milhares de opções sem deixar o usuário perdido diante delas.

Algoritmos de recomendação, listas de tendências, categorias personalizadas e porcentagens de compatibilidade foram algumas das respostas.

Agora, uma nova etapa parece estar começando.

O próprio processo de escolher algo para assistir está assumindo características das redes sociais: rolagem infinita, vídeos verticais, personalização constante e respostas imediatas.

A HBO Max não está simplesmente copiando a aparência do TikTok. Está tentando importar aquilo que tornou a plataforma tão eficiente em capturar atenção e transformar curiosidade em descoberta.

Resta saber se os assinantes realmente querem encontrar sua próxima série dentro de um feed infinito ou se isso apenas adicionará mais uma tela para navegar antes de finalmente apertar o play.

Se funcionar, porém, a ideia pode resolver uma ironia que acompanha o streaming há anos: nunca tivemos tantas coisas disponíveis para assistir e, mesmo assim, frequentemente precisamos abrir outro aplicativo para descobrir qual delas vale nosso tempo.

[Fonte: Digital Trends]

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