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Ciência

NASA vai perseguir o eclipse solar a 740 km/h para prolongar a totalidade e estudar o Sol

O eclipse solar total de 12 de agosto de 2026 será acompanhado por uma missão incomum da NASA. Um avião científico voará a 740 km/h para permanecer por mais tempo dentro da sombra da Lua, enquanto balões estratosféricos serão lançados na Islândia e na Espanha para investigar os efeitos do fenômeno na atmosfera terrestre.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Os eclipses solares são um espetáculo impressionante para quem os observa da Terra, mas também representam oportunidades raras para a ciência. Durante alguns minutos, a Lua bloqueia completamente a luz do Sol, revelando a tênue coroa solar, uma região extremamente quente que normalmente permanece escondida pelo intenso brilho da estrela.

Para aproveitar ao máximo esse curto intervalo, a NASA preparou uma missão especial. Em vez de observar o eclipse de um ponto fixo, um avião de pesquisa irá perseguir a sombra da Lua em pleno voo, prolongando o tempo disponível para coletar dados científicos.

Além disso, equipes da agência estarão na Islândia e na Espanha para lançar dezenas de balões de pesquisa destinados a estudar as mudanças provocadas pelo eclipse na atmosfera.

Um avião correndo atrás da sombra da Lua

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© Pexels

A aeronave escolhida para a missão será um WB-57, avião de pesquisa da NASA capaz de voar em grandes altitudes.

Durante o eclipse, ele seguirá a trajetória da sombra da Lua a aproximadamente 740 km/h. Graças a essa estratégia, os pesquisadores conseguirão observar a fase de totalidade por quase três minutos.

Na superfície terrestre, a duração máxima do eclipse será pouco superior a dois minutos, registrada na Islândia. Ao acompanhar o deslocamento da sombra, o avião ganha preciosos segundos adicionais para realizar observações detalhadas.

Embora pareça uma ideia inédita, essa técnica já foi utilizada anteriormente.

Em 1973, cientistas britânicos e franceses embarcaram em um Concorde que voou a mais de 2.500 km/h durante um eclipse solar. Como resultado, conseguiram permanecer dentro da sombra lunar por mais de uma hora.

A missão vai investigar a misteriosa coroa solar

O principal objetivo do voo é estudar a coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol.

Curiosamente, embora esteja muito mais distante do núcleo solar, essa região apresenta temperaturas de milhões de graus, um fenômeno que continua intrigando os cientistas.

O WB-57 transportará o sistema SAMI (Solar Airborne Multi-slit Imaging), composto por quatro câmeras capazes de registrar pelo menos 20 imagens por segundo em diferentes comprimentos de onda, incluindo luz visível e infravermelha.

Com essas observações, os pesquisadores pretendem compreender melhor como a coroa é aquecida e qual sua relação com o vento solar, fluxo contínuo de partículas carregadas que, durante eventos extremos, pode afetar satélites, sistemas de comunicação e redes elétricas na Terra.

Esse equipamento já havia sido utilizado durante o eclipse total observado nos Estados Unidos em 2024, mas recebeu melhorias para a missão de 2026.

Balões científicos também entrarão em ação

O avião não será o único protagonista da operação.

A NASA também enviará equipes à Islândia e à Espanha para lançar balões estratosféricos durante o eclipse.

Na Islândia, serão lançados cerca de 80 balões destinados a estudar como a rápida redução da luz solar influencia a camada limite da atmosfera, região diretamente afetada pelas interações entre a superfície terrestre e o ar.

Na Espanha, outros seis balões equipados com câmeras de 360 graus investigarão a relação entre o eclipse e as variações na concentração de ozônio atmosférico.

O que o eclipse de 2024 revelou

Raro Eclipse Solar1
© Jongsun Lee – Unsplash

O interesse pelo comportamento da atmosfera surgiu após experimentos realizados durante o eclipse total de 2024.

Na ocasião, pesquisadores observaram alterações temporárias nos níveis de ozônio durante o período de escuridão total.

Essas mudanças fazem sentido do ponto de vista químico.

O ozônio, tanto na troposfera quanto na estratosfera, é constantemente produzido e destruído por reações fotoquímicas que dependem diretamente da radiação solar.

Quando um eclipse reduz drasticamente a incidência de luz em poucos minutos, essas reações também sofrem alterações, oferecendo aos cientistas uma oportunidade única para compreender melhor sua dinâmica.

Os novos experimentos buscarão medir com maior precisão até que ponto essa interrupção temporária da iluminação solar afeta a composição química da atmosfera.

Um espetáculo para o público e um laboratório para a ciência

Enquanto milhões de pessoas acompanharão o eclipse pela emoção de presenciar um fenômeno raro, pesquisadores enxergam o evento como um verdadeiro laboratório natural.

Cada eclipse fornece dados que ajudam a entender desde o comportamento da atmosfera terrestre até os processos físicos que ocorrem na coroa solar e influenciam o clima espacial.

Independentemente do local de observação, a recomendação continua a mesma: nunca olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada. Óculos certificados para observação solar são indispensáveis durante todas as fases parciais do eclipse, sendo seguros retirá-los apenas durante a breve totalidade, quando o disco solar estiver completamente coberto pela Lua.

 

[ Fonte: Xataka ]

 

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