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Ciência

Astrônomos encontram o planeta mais jovem já conhecido — e ele desafia as teorias de formação planetária

Com menos de 1 milhão de anos e aproximadamente o tamanho de Júpiter, Elias 2-24 b ainda está mergulhado no disco de poeira de sua estrela. A descoberta oferece uma oportunidade rara de observar um planeta praticamente durante seu nascimento.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Astrônomos confirmaram a existência daquele que pode ser o planeta mais jovem conhecido até hoje. Chamado Elias 2-24 b, o mundo tem menos de 1 milhão de anos e aproximadamente a mesma massa de Júpiter. Para os padrões cósmicos, isso significa que ele acaba de nascer.

A descoberta é especialmente importante porque o planeta ainda orbita dentro do disco de gás e poeira que envolve sua jovem estrela. É justamente nesse ambiente que planetas se formam, permitindo aos cientistas investigar um processo que normalmente permanece escondido dos telescópios.

Mas Elias 2-24 b também apresenta um problema: aparentemente, ele se formou rápido demais para ser facilmente explicado pelos principais modelos utilizados atualmente.

Um planeta com menos de 1 milhão de anos

Antes de Elias 2-24 b, o recorde de planetas mais jovens conhecidos era compartilhado por quatro mundos.

Dois deles orbitam a estrela PDS 70, enquanto outros dois pertencem ao sistema WISPIT 2. Todos possuem mais de 5 milhões de anos.

Elias 2-24 b reduz drasticamente essa idade.

O planeta orbita uma estrela localizada a aproximadamente 450 anos-luz da Terra e possui uma massa semelhante à de Júpiter. Como todo o sistema ainda é extremamente jovem, os astrônomos estão observando uma espécie de fotografia da infância de um sistema planetário.

Isso também pode fornecer pistas sobre como o Sistema Solar se parecia bilhões de anos atrás, quando os planetas ainda estavam se formando ao redor do jovem Sol.

Ele pode ter se formado rápido demais

É justamente a idade extremamente baixa de Elias 2-24 b que está intrigando os pesquisadores.

“Nossos modelos de formação planetária já tinham dificuldades para explicar os recordistas anteriores”, afirmou Lucas Cieza, professor do Instituto de Estudos Astrofísicos do Chile e coautor do estudo.

Segundo o pesquisador, Elias 2-24 b sugere que até os melhores modelos disponíveis ainda deixam de considerar processos importantes envolvidos no nascimento de planetas.

Uma das principais explicações para a formação de gigantes gasosos é o modelo de acreção de núcleo. Nesse cenário, partículas de poeira começam a se acumular gradualmente até formar um núcleo sólido suficientemente grande para atrair enormes quantidades de gás.

O problema é que esse processo pode exigir bastante tempo.

Encontrar um planeta semelhante a Júpiter com menos de 1 milhão de anos significa que, pelo menos em alguns sistemas, mundos gigantes podem surgir muito mais rapidamente do que determinadas previsões sugerem.

Astrônomos estão observando um planeta ainda em formação

Outro aspecto incomum é a localização do planeta.

Elias 2-24 b continua dentro do disco de material que circunda sua estrela. Esses chamados discos protoplanetários são compostos principalmente por gás e poeira e funcionam como verdadeiros berçários de planetas.

Normalmente, estudar mundos tão jovens é extremamente difícil. A poeira ao redor da estrela bloqueia ou confunde grande parte da radiação que poderia revelar diretamente a presença deles.

Por isso, existe uma lacuna importante nas observações astronômicas: cientistas conhecem sistemas extremamente jovens e conseguem estudar muitos planetas já formados, mas enxergar exatamente o que acontece entre essas duas fases continua sendo complicado.

Ainda estamos quase cegos para os “planetas bebês”

Segundo Cieza, a Via Láctea produz continuamente novas estrelas e planetas. Em princípio, portanto, deveria ser possível encontrar sistemas em praticamente todas as etapas de desenvolvimento.

Na prática, os instrumentos atuais ainda têm dificuldades justamente com os mundos mais novos.

“Estamos quase cegos para esses planetas bebês”, resumiu o pesquisador.

Descobertas como Elias 2-24 b podem começar a preencher essa lacuna.

Quanto mais planetas extremamente jovens forem identificados, melhor será possível reconstruir como poeira e gás se transformam em mundos gigantes em períodos relativamente curtos.

E isso pode obrigar os astrônomos a rever uma das questões fundamentais da ciência planetária: quanto tempo realmente é necessário para construir um planeta como Júpiter?

 

[ Fonte: Marca ]

 

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