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Ciência

Ter um cachorro pode ajudar você a viver mais, diz especialista em longevidade

Ter um cachorro pode significar muito mais do que ganhar companhia dentro de casa. Para o pesquisador Dan Buettner, especialista em longevidade, a rotina criada pelos animais pode estimular hábitos associados a uma vida mais ativa e saudável.
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Tempo de leitura: 3 minutos

“Uma das melhores coisas que você pode fazer para acrescentar anos à sua vida é ter um cachorro”, afirma Buettner. A explicação está menos em algum efeito extraordinário dos animais e mais em algo bastante simples: eles precisam passear todos os dias.

Essa obrigação cria uma rotina de movimento que não depende apenas da motivação do dono. E, quando o assunto é envelhecimento saudável, a constância pode ser mais importante do que exercícios intensos realizados apenas ocasionalmente.

Um cachorro coloca você para caminhar todos os dias

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© Eden Kefale – Pexels

Buettner ficou conhecido internacionalmente por estudar populações com alta concentração de pessoas longevas. Para ele, um dos principais fatores associados ao envelhecimento saudável é incorporar movimento naturalmente à rotina.

Isso não significa necessariamente passar horas na academia.

“Quando você envelhece, as únicas coisas que funcionam são aquelas que faz quase todos os dias”, explica o pesquisador. Nesse sentido, ter um cachorro oferece uma vantagem bastante prática: o animal precisa sair para caminhar independentemente da disposição do tutor.

Na prática, os passeios podem representar vários minutos adicionais de atividade física distribuídos ao longo da semana.

Esse tipo de movimento cotidiano ganha importância com o avanço da idade. Manter o corpo ativo contribui para preservar mobilidade, força e independência, embora as necessidades de atividade física variem de pessoa para pessoa.

O benefício pode ir além da atividade física

A relação entre humanos e animais também é estudada por possíveis efeitos sobre o estresse.

Buettner destaca pesquisas que observaram alterações nos níveis de cortisol durante interações com animais de estimação. O cortisol participa da resposta do organismo ao estresse e, quando permanece elevado por períodos prolongados, pode estar relacionado a diferentes problemas de saúde.

Alguns estudos sugerem que interagir com cães pode estar associado a reduções temporárias desse hormônio em determinadas situações. Isso não significa, porém, que simplesmente adotar um cachorro garanta níveis mais baixos de cortisol ou uma vida mais longa.

Os efeitos dependem de fatores como vínculo com o animal, estilo de vida e condições de saúde do tutor.

Ter um cachorro também pode mudar outros hábitos

O ponto central da recomendação de Buettner está justamente na capacidade de transformar comportamentos cotidianos.

Uma pessoa pode planejar começar a caminhar e abandonar a ideia depois de algumas semanas. Um cachorro, por outro lado, continua precisando sair.

Essa responsabilidade funciona como um incentivo externo para manter o hábito.

Além disso, passear pode aumentar o tempo passado ao ar livre e criar oportunidades de interação social com vizinhos e outros tutores de animais. São pequenas mudanças que podem contribuir para uma rotina menos sedentária e mais conectada socialmente.

Buettner defende que a longevidade não depende de uma única intervenção. Alimentação, sono, atividade física, relações sociais e características individuais fazem parte de um conjunto muito mais amplo.

Isso significa que quem tem cachorro vive mais?

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© Micah Giszack – Unsplash

A relação é mais complicada.

Estudos observacionais já encontraram associações entre ter animais de estimação e determinados indicadores positivos de saúde, mas isso não permite concluir que o cachorro seja diretamente responsável por aumentar a expectativa de vida.

Pessoas que adotam cães também podem apresentar características diferentes daquelas que não têm animais, incluindo rotina, renda, saúde prévia e nível de atividade física.

Além disso, um cachorro exige dinheiro, espaço, atenção, cuidados veterinários e responsabilidade durante muitos anos. Para algumas pessoas, essas obrigações podem inclusive representar uma fonte adicional de estresse.

Por isso, adotar um animal apenas como estratégia de longevidade não é uma receita universal.

A ideia defendida por Buettner é mais simples: hábitos que fazem você se movimentar naturalmente todos os dias são mais fáceis de manter durante anos. E, para milhões de pessoas, poucas coisas são tão eficientes em lembrar disso quanto um cachorro esperando na porta para passear.

 

[ Fonte: Radio Mitre ]

 

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