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Ciência

Atlântico aquece acima da média em Portugal enquanto Mediterrâneo bate recorde histórico

A onda de calor não está apenas no ar, mas também no mar. O Atlântico na costa portuguesa atinge temperaturas de até 24 ºC, enquanto o Mediterrâneo ultrapassa seu recorde histórico, chegando a quase 27 ºC. Especialistas alertam para riscos ecológicos e impactos climáticos globais.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Portugal enfrenta dias de calor intenso, com termômetros a marcar até 34 ºC em várias regiões. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocou oito distritos em alerta laranja, não apenas por causa da temperatura no ar, mas também devido ao aquecimento anormal do oceano. No Algarve, região preferida por turistas, a água está bem acima da média habitual.

Algarve com mar mais quente que o normal

Algarve
© Mélanie Arouk – Unsplash

De acordo com o IPMA, as águas do Algarve registam temperaturas entre 23 ºC e 24 ºC: cerca de 23 ºC em Portimão e 24 ºC em Faro. Embora elevadas, essas marcas não representam recorde. O auge ocorreu entre 28 de junho e 9 de julho, quando o mar em Faro chegou aos 25 ºC.

Para os banhistas, a temperatura pode parecer agradável, mas para cientistas o fenómeno é um alerta: o oceano Atlântico tem registado variações acima da média que refletem o impacto das ondas de calor marinhas.

Calor oceânico é tendência global

Segundo o relatório da Mercator Ocean International, julho de 2024 foi o terceiro mês mais quente já registado em termos de temperatura marinha global. Cerca de 71% do oceano mundial ficou acima da média, com anomalias marcantes no Atlântico Norte, no Pacífico Norte e no oceano Índico.

Esse aquecimento generalizado é classificado como uma “extraordinária atividade de onda de calor marinha”, fenómeno que afeta a biodiversidade e aumenta os riscos de eventos climáticos extremos.

Mediterrâneo bate recorde

No Mediterrâneo, o cenário foi ainda mais impressionante: a temperatura média da superfície do mar atingiu 26,68 ºC em julho, ultrapassando o recorde anterior de 2023 (26,65 ºC).

O aquecimento foi quase generalizado: 95% do mar Mediterrâneo registou valores acima da média. Em 63% da área, a temperatura superou a média de longo prazo em pelo menos 1 ºC, e em 40% o excesso foi de 2 ºC ou mais. O Mediterrâneo ocidental foi a zona mais afetada pelas chamadas “anomalias extremas”.

Consequências do aquecimento dos mares

Oceano
© Unsplash

Embora as águas mais quentes sejam vistas como um atrativo turístico, especialistas alertam para os impactos ambientais. O aumento da temperatura marítima pode:

  • provocar mortalidade em massa de peixes, mamíferos, aves e corais;

  • alterar o equilíbrio dos ecossistemas marinhos;

  • intensificar fenómenos como tempestades, inundações e secas;

  • comprometer a segurança alimentar de populações dependentes da pesca.

Segundo oceanógrafos, se as ondas de calor marinhas se tornarem mais frequentes e duradouras, a resiliência dos ecossistemas pode ser ultrapassada, acelerando os efeitos das mudanças climáticas.

O desafio para o futuro

Portugal e outros países do sul da Europa enfrentam o dilema de aproveitar economicamente o turismo de verão enquanto lidam com os riscos ambientais de mares cada vez mais quentes.

Os dados recentes reforçam a urgência de medidas para monitorizar e mitigar os impactos das alterações climáticas, especialmente em regiões como o Mediterrâneo, considerado um dos pontos mais vulneráveis do planeta ao aquecimento global.

 

[ Fonte: Euronews ]

 

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