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Ciência

Autoestima na geração “silver”: o que antes chamávamos velhice, hoje é vida plena

Um estudo revela que envelhecer não significa perder protagonismo, mas viver uma etapa vital repleta de oportunidades, autonomia e reconhecimento.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Mais autoestima com o passar dos anos

Abuelos
© Pixabay/un-perfekt

De acordo com o I Estudo da Cátedra BELSILVER Nebrija – L’Oréal Groupe, dois em cada três integrantes da chamada geração silver (pessoas entre 55 e 75 anos) afirmam que sua autoestima melhorou com a idade.

Os números são reveladores:

  • 91% dizem sentir-se bem ou muito bem consigo mesmos.

  • Metade das mulheres acima de 55 anos afirma sentir-se mais valiosa do que antes, após superar papéis e pressões sociais.

  • 74% continuam aprendendo e querem seguir contribuindo ativamente.

Para os homens, a autoestima está ligada a se manterem úteis e ativos, seja em trabalhos voluntários, em atividades de consultoria ou no apoio à família.

Bem-estar integral e novas prioridades

O estudo mostra que, para 94% dos entrevistados, bem-estar é um conceito integral, que abrange saúde física, mental e emocional. Entre os pilares destacados pela geração silver estão a autonomia, as relações sólidas, a estabilidade econômica e o tempo livre para projetos pessoais.

O autocuidado, longe de ser uma luta contra o envelhecimento, é entendido como parte essencial do bem-estar. Mais de 70% associam a qualidade de vida ao exercício físico, à saúde emocional e ao tempo pessoal. Em suma: viver plenamente não é não ter rugas, mas cultivar liberdade, saúde e vínculos afetivos.

Do autocuidado à invisibilidade

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© Unsplash

Apesar do nível elevado de satisfação pessoal, a pesquisa revela uma contradição: apenas 23% sentem que a sociedade respeita e valoriza sua geração. Muitos percebem indiferença ou condescendência — reflexo do idadismo ainda presente.

Quando aparecem em campanhas publicitárias ou no espaço midiático, frequentemente são retratados de maneira estereotipada, o que não condiz com a realidade de uma geração ativa, com forte poder econômico e papel social relevante.

A “Geração Infinita”

As mulheres silver representam metade de todo o consumo feminino de produtos de beleza na Espanha. Considerando ambos os sexos, esse grupo soma 28% da população, concentra 60% do consumo privado e responde por 25% do PIB.

“Essa é a geração que chamamos de infinita: o que ontem era velhice, hoje é vida plena. Nunca tivemos um grupo tão longevo, saudável e ativo, com tanta capacidade de seguir contribuindo”, destacou Marta Perlado, diretora da Cátedra BELSILVER e decana da Universidade Nebrija.

Juan Alonso de Lomas, presidente da L’Oréal Espanha e Portugal, reforçou o papel estratégico dessa população: “A Geração Silver é um pilar da sociedade, fonte de talento e motor de consumo. Merece mais visibilidade, respeito e oportunidades”.

Experiência que transforma

Para especialistas em comunicação e mercado, a Geração Silver rompe limites tradicionais de idade e redefine o que significa envelhecer. Agustín Medina, sócio da Presidentex, resume: “Nenhuma outra geração acumulou tanta experiência, perspectiva e tempo. Eles não apenas vivem mais, mas transformam a forma de viver”.

Como o estudo foi feito

O levantamento combinou três metodologias:

  • Pesquisa quantitativa com 1.000 pessoas da geração silver;

  • Pesquisa qualitativa no formato “Café do Mundo”, que estimulou o diálogo aberto entre participantes;

  • Inteligência Artificial, usada para analisar respostas abertas e identificar emoções, padrões de raciocínio e estilos comunicativos.

Essa abordagem 360º trouxe dados robustos e, ao mesmo tempo, captou a riqueza da experiência vivida, oferecendo uma visão inédita sobre como essa geração enxerga a própria vida.

 

[ Fonte: ABC ]

 

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