Viajar longas distâncias com carros elétricos ainda gera dúvidas em muitos motoristas, principalmente quando se trata da autonomia real das baterias. Para responder a essa questão, a organização NAF, da Noruega, realizou em 2025 a maior avaliação comparativa de veículos elétricos do mundo. O estudo buscou medir quanto os modelos conseguem rodar de fato antes de exigir recarga, e os resultados trazem pistas importantes sobre o presente e o futuro da mobilidade elétrica.
Como o teste foi realizado

O El Prix, considerado o maior teste de autonomia de veículos elétricos, aconteceu em condições de verão, com temperaturas entre 7 °C e 17 °C. Diferente de edições anteriores, os avaliadores não levaram os carros até a pane total: a análise foi feita medindo a quilometragem já percorrida com 20% e depois 10% de bateria. Essa metodologia reflete de forma mais fiel a experiência real, já que motoristas dificilmente deixam a carga cair a zero, seja para evitar riscos de pane, seja para preservar a vida útil da bateria.
Os números divulgados pelos fabricantes, baseados no padrão WLTP, consideram o uso de 100% da bateria, mas o estudo mostrou a importância de se observar a autonomia “útil”, aquela que realmente se aproveita no dia a dia.
Avanços significativos na autonomia
Dos 27 modelos avaliados, 20 ultrapassaram a marca de 492 km. Em apenas cinco anos, a autonomia média cresceu cerca de 200 km, confirmando a rápida evolução dos carros elétricos. O Lucid Air impressionou ao rodar 641 km antes de chegar aos 20% de bateria, embora tenha ficado abaixo dos números oficiais de homologação. Já o Tesla Model 3 se destacou pela consistência: alcançou 625 km com 10% de carga e chegou a 721 km até a pane.
Esses resultados evidenciam que a indústria está conseguindo entregar veículos capazes de percorrer trajetos cada vez mais longos, reduzindo a ansiedade dos motoristas em relação à recarga.
Tesla e chineses na frente
Os destaques do estudo foram a Tesla e diversas marcas chinesas. O Model Y superou em 66 km a autonomia declarada no WLTP, alcançando 652 km no teste. O Zeekr 7X rodou 52 km a mais que o previsto, e o BYD Tang fez 42 km além da homologação. Até o Peugeot e-5008 e o MG S5 entregaram resultados superiores ao esperado, confirmando que a disputa pela eficiência vai além dos gigantes do setor.
Essas marcas mostraram que conseguem não apenas cumprir as promessas de autonomia, mas também oferecer uma margem de segurança que pode fazer diferença em viagens longas.
Quando os números desapontam
Apesar do avanço geral, alguns modelos ficaram aquém das expectativas. O Audi Q6 e-tron, por exemplo, apresentou desempenho inferior à homologação, embora tenha se destacado pela precisão do odômetro. O grande desapontamento foi o Lucid Air: mesmo entregando uma autonomia elevada, o carro registrou 131 km a menos que o previsto, uma diferença de 13%. Outros modelos ficaram abaixo da média entre 3% e 5%, mostrando que fatores como peso, aerodinâmica e software de gerenciamento ainda influenciam bastante os últimos quilômetros de carga.
O que os motoristas podem aprender
A principal lição é clara: não vale a pena esperar que a bateria chegue a 10% para pensar em recarga. Planejar paradas estratégicas a partir de 20% de carga é a maneira mais segura de viajar, evitando imprevistos e aproveitando para descansar durante o processo.
O El Prix de verão provou que os carros elétricos já permitem jornadas longas sem grandes preocupações. Com planejamento adequado, pausas inteligentes e a infraestrutura de carregamento certa, a autonomia deixou de ser um obstáculo e passou a ser apenas um detalhe em uma viagem tranquila.
[Fonte: Xataka]