A tecnologia é 100% brasileira e foi pensada para enfrentar um dos maiores desafios logísticos da região Norte: o isolamento. Como boa parte das cidades amazônicas depende de rios para transporte, o Volitan surge como alternativa rápida, sustentável e eficiente.
“O ‘barco voador’ navega próximo à lâmina d’água, mas sem encostar nela. Isso permite alta velocidade com baixo consumo de energia e emissões quase nulas de carbono”, explica Tulio Duarte, cofundador e diretor de negócios da AeroRiver.
O conceito do efeito solo é usado também em aeronaves militares e veículos experimentais na Rússia e Coreia do Sul. Ao aproveitar o ar comprimido entre o casco e a água, o Volitan ganha sustentação e estabilidade, sem precisar de uma pista para decolar — o que o torna ideal para os vastos rios amazônicos.
Testes e expectativas para 2026

O protótipo inicial surgiu como um drone, mas a versão atual será tripulada e deve comportar duas a quatro pessoas. Segundo a AeroRiver, o modelo de produção terá 18 metros de comprimento, autonomia de 500 km e espaço para dez passageiros ou até uma tonelada de carga.
Com essa capacidade, uma viagem entre Manaus e Parintins, que hoje leva cerca de dez horas, poderá ser feita em apenas três. O primeiro teste com passageiros está previsto para 2026, quando serão avaliadas a estabilidade, a flutuabilidade e o sistema de assistência à pilotagem — uma tecnologia exclusiva da empresa, criada para garantir mais segurança durante o voo rasante sobre a água.
Um novo símbolo da inovação amazônica

Com a COP30 marcada para Belém, o projeto do barco voador coloca o Amazonas no mapa da inovação verde. Além de acelerar o transporte, o Volitan pode reduzir emissões, encurtar distâncias e fortalecer a economia ribeirinha, mostrando que a Amazônia é também um laboratório de tecnologia sustentável.
Se tudo sair como planejado, o futuro da mobilidade na floresta pode literalmente ganhar asas sobre os rios.
[Fonte: O liberal]