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Coreia do Sul aposta em novos aviões-radar para conter ameaças do Norte

Com os testes de mísseis e drones da Coreia do Norte aumentando, Seul decidiu reforçar sua defesa aérea com quatro novos aviões de alerta antecipado. O investimento bilionário promete ampliar a vigilância do espaço aéreo e garantir que nenhuma ameaça passe despercebida — nem mesmo as que voam baixo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A vigilância aérea nunca dorme na Coreia do Sul. A cada novo teste de míssil ou incursão de drones norte-coreanos, cresce a pressão por sistemas capazes de detectar ameaças antes que elas cruzem o céu. O problema é que os radares em terra — limitados pela geografia montanhosa do país — nem sempre conseguem identificar alvos que se escondem em altitudes baixas.

Para resolver isso, Seul deu sinal verde a uma nova geração de aviões de alerta antecipado, que vão permitir um monitoramento mais amplo e constante do espaço aéreo. Mais do que um avanço tecnológico, é uma atualização estratégica em um momento em que a tensão na península volta a subir.

Uma frota renovada com tecnologia de ponta

Coreia do Sul aposta em novos aviões-radar para conter ameaças do Norte
© https://x.com/PoderioMilitar

O programa, iniciado em 2020 pela Agência de Aquisições de Defesa (DAPA), prevê a compra de quatro novas aeronaves AEW&C (sigla em inglês para Airborne Early Warning and Control). O modelo escolhido foi o Bombardier Global 6500 equipado com o radar EL/W-2085, desenvolvido pela israelense Elta.

Esse radar é um dos mais avançados do mundo: suas antenas de varredura eletrônica ativa nas laterais, junto a sensores no nariz e na cauda, permitem vigiar em 360 graus — algo essencial para detectar tanto mísseis quanto drones furtivos. Além disso, o Global 6500 tem custo operacional menor e pode permanecer em voo por longos períodos, oferecendo cobertura contínua do espaço aéreo.

A disputa entre EUA e Suécia pelo contrato

A escolha foi disputada até o fim. De um lado, a americana L3Harris, em parceria com a Elta, oferecia o sistema EL/W-2085. Do outro, a sueca Saab apresentou sua versão GlobalEye, com o radar Erieye Extended Range.

Segundo a DAPA, ambas as propostas tinham desempenho técnico semelhante, mas a americana venceu por oferecer melhor integração industrial, manutenção mais simples e custo de operação menor. Já a Saab se destacou em preço, mas não o suficiente para superar a vantagem logística e política da concorrente.

O orçamento total aprovado é de 3,87 trilhões de wons (cerca de R$ 14,5 bilhões) e prevê que os aviões sejam entregues até 2032. A meta é garantir patrulhas permanentes e uma resposta imediata a qualquer tentativa de intrusão — algo crucial em uma das fronteiras mais vigiadas do planeta.

Parceria estratégica e impacto militar

A L3Harris já é parceira de longa data das Forças Armadas sul-coreanas. A empresa fornece sistemas de comunicação segura, sensores infravermelhos e equipamentos de visão noturna há mais de 20 anos, além de manter um centro de manutenção local — o que facilita o suporte técnico e reduz custos de operação.

Com os novos jatos-radar, a Coreia do Sul pretende integrar essas aeronaves à sua rede nacional ISTAR, sistema que conecta radares, sensores terrestres e unidades de combate para gerar uma visão única e em tempo real do espaço aéreo. Assim, os Global 6500 poderão detectar, rastrear e coordenar respostas a ameaças antes mesmo de elas entrarem no território.

O futuro da defesa aérea sul-coreana

Mais do que reforçar sua capacidade militar, a Coreia do Sul quer enviar um recado claro: está pronta para antecipar qualquer movimento do Norte. Em tempos de drones invisíveis e mísseis hipersônicos, ver primeiro é o que pode decidir o resultado de um conflito.

Com esses novos aviões de alerta antecipado, Seul se coloca entre as potências com maior cobertura aérea da Ásia — e transforma o céu coreano em um campo de vigilância quase impossível de atravessar.

[Fonte: Terra]

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