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Belém 2025: a COP30 começa com o alerta mais duro da história e a volta dos protestos climáticos

A Conferência do Clima em Belém começa sob um clima tenso. A Organização Meteorológica Mundial afirma que limitar o aquecimento global a 1,5 °C “já é praticamente impossível”, enquanto ativistas e povos indígenas chegam à Amazônia em canoas e veleiros para exigir que a justiça climática substitua as promessas vazias.

A COP30, sediada em Belém do Pará, abriu suas portas cercada por alarmes científicos e mobilizações sociais. A Organização Meteorológica Mundial lançou seu relatório mais pessimista até agora, enquanto o secretário-geral da ONU, António Guterres, acusou governos e corporações de lucrar com a destruição do planeta. Entre alertas e canoas, a cúpula promete ser uma das mais simbólicas — e decisivas — da era climática.

Uma cúpula sob pressão global

A 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30) ocorre em Belém até 21 de novembro de 2025. O encontro de chefes de Estado aconteceu dias antes, mas as ausências chamaram atenção: China, Estados Unidos, Índia e Rússia — quatro dos maiores emissores — não compareceram.

Durante a abertura, António Guterres fez críticas duras, acusando governos e empresas de “lucrarem com a devastação climática” e de não cumprirem compromissos anteriores. O tom foi de impaciência: o planeta não tem mais tempo para promessas adiadas.

O alerta da OMM: o 1,5 °C está quase perdido

O relatório State of the Climate 2025, da Organização Meteorológica Mundial, confirmou o que muitos temiam: este será um dos anos mais quentes da história. A concentração de gases de efeito estufa atinge níveis recordes, e a secretária-geral Celeste Saulo afirmou que manter o aquecimento abaixo de 1,5 °C “será praticamente impossível”.

Mesmo assim, ela reforçou que ainda é possível desacelerar o ritmo de aquecimento, chamando a ação climática de “obrigação moral e científica”.
A mudança de narrativa é clara: já não se fala em “evitar o pior”, mas em gerir o inevitável.

As vozes que chegam pelo rio

Enquanto líderes negociam em salões climatizados, centenas de ativistas, cientistas e povos indígenas chegaram a Belém pelo rio. A jornada, batizada de Voyage to Resist the End of the World, percorreu comunidades amazônicas para denunciar que a crise climática atinge primeiro quem menos contribuiu para ela.

Veleiros como o Rainbow Warrior, do Greenpeace, e embarcações da flotilha 4Change atravessaram o Atlântico para lembrar que a proteção do clima deve caminhar junto com a defesa dos direitos humanos e dos povos originários.

Os grandes temas da COP30

Entre os principais pontos da agenda estão a revisão das metas nacionais (NDC 3.0), com apenas 70 dos 198 países apresentando novos compromissos; o financiamento climático, com foco no Fundo Verde e no Fundo de Perdas e Danos; e a implementação concreta do Acordo de Paris.
O desafio é transformar promessas em ações reais — menos retórica, mais responsabilidade.

Justiça climática e futuro comum

A COP30 de Belém simboliza um ponto de virada. A ciência reconhece que o alvo de 1,5 °C está quase fora de alcance, mas as ruas, os rios e as florestas exigem outro tipo de meta: preservar a dignidade humana.

Entre discursos e remadas, emerge uma mensagem uníssona: o futuro do planeta não será decidido apenas em mesas de negociação, mas também nas margens do Amazonas.

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