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Bolsonaro sob pressão: pedido secreto de asilo a Milei, acusações de obstrução e risco de prisão

Novos documentos da Polícia Federal revelam que Jair Bolsonaro teria redigido um pedido de asilo político ao presidente argentino Javier Milei, enquanto enfrenta acusações de obstrução à Justiça e aguarda um julgamento por tentativa de golpe de Estado. Mensagens com seu filho Eduardo expõem estratégias para influenciar autoridades estrangeiras e evitar a prisão.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O cerco contra Jair Bolsonaro se estreita. Entre investigações, acusações formais e possíveis condenações, o ex-presidente brasileiro está no centro de uma trama política e judicial que atravessa fronteiras. Novas revelações da Polícia Federal indicam que Bolsonaro não apenas buscou apoio internacional, mas chegou a redigir um pedido de asilo político à Argentina, expondo um cenário de tensão que envolve líderes mundiais e instituições democráticas.

Polícia acusa Bolsonaro de obstrução à Justiça

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© X – @folha

A Polícia Federal do Brasil formalizou acusações contra Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro por obstrução à Justiça. A denúncia faz parte de uma investigação mais ampla que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado e aponta que o ex-presidente teria ignorado medidas cautelares, além de compartilhar conteúdos para mobilizar aliados contra instituições brasileiras, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional.

Segundo o relatório de 170 páginas, Bolsonaro também teria buscado meios para escapar de possíveis prisões preventivas, adotando estratégias para atrasar ou comprometer o andamento das investigações.

Pedido de asilo a Milei: uma carta de 33 páginas

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© LUIS ROBAYO/AFP via Getty Images

Um dos pontos mais polêmicos do relatório é a descoberta de um documento redigido por Bolsonaro, datado de 10 de fevereiro de 2024, destinado ao presidente argentino Javier Milei. Na carta, de 33 páginas, o ex-mandatário alega perseguição política e solicita asilo político em caráter de urgência:

“Eu, Jair Messias Bolsonaro, solicito asilo político a Vossa Excelência na República Argentina, por encontrar-me em situação de perseguição política no Brasil e temer por minha vida.”

O documento foi salvo apenas dois dias depois de a Polícia Federal realizar buscas em sua residência e em seu escritório, no âmbito da investigação sobre uma possível trama golpista.

Nesse mesmo período, Bolsonaro admitiu ter passado duas noites na Embaixada da Hungria em Brasília, o que alimentou especulações sobre uma tentativa de evitar a prisão.

Mensagens revelam planos com Eduardo Bolsonaro

A Polícia Federal também obteve trocas de mensagens entre Jair e Eduardo Bolsonaro que indicam movimentações para buscar apoio internacional. Em um dos trechos, Eduardo orienta o pai a elogiar o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, numa tentativa de influenciar o governo norte-americano:

“Não vai ter tempo de reverter a situação se o cara aqui te der as costas. Aqui tudo é muito sensível, qualquer detalhe te afeta”, escreveu Eduardo.

Ele também afirma que, com dificuldade, conseguiu acesso direto à Casa Branca, junto a Paulo Figueiredo, para tentar envolver aliados de Trump no caso brasileiro.

“A pressão de Trump é a única chance de evitar a prisão”

Em outro trecho, Eduardo Bolsonaro diz que o apoio do ex-presidente norte-americano seria a última esperança de impedir que o pai fosse condenado:

“O homem mais poderoso do mundo está do seu lado. Fizemos a nossa parte”, teria escrito em 10 de julho.

Segundo os investigadores, essas tentativas de articulação internacional reforçam a tese de que Bolsonaro e seus aliados buscavam interferir no andamento dos processos judiciais no Brasil, aumentando o peso das acusações.

O que vem pela frente

O julgamento sobre a suposta tentativa de golpe será conduzido por um painel de cinco juízes do STF, com previsão de anúncio do veredicto entre 2 e 12 de setembro. Os novos achados da Polícia Federal, no entanto, não devem influenciar essa decisão.

Paralelamente, os procuradores afirmam que Bolsonaro e seus aliados integravam uma organização criminosa cujo objetivo seria anular o resultado das eleições de 2022. As investigações também mencionam planos para atentar contra a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo.

 

[ Fonte: Euronews ]

 

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