A guerra entre Rússia e Ucrânia ultrapassa três anos e continua sem perspectiva de desfecho. Nesse cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem buscado espaço como interlocutor internacional, em parceria com a China, no chamado Grupo de Amigos da Paz. Nesta segunda-feira (18), Lula conversou por telefone com Vladimir Putin e recebeu informações de primeira mão sobre o encontro do líder russo com Donald Trump, realizado na última sexta-feira (15), no Alasca.
Putin compartilha detalhes com Lula
Segundo o Palácio do Planalto, a ligação durou cerca de 30 minutos. Putin relatou os principais pontos discutidos com Trump, em uma reunião que terminou sem acordo concreto para encerrar o conflito. De acordo com a nota oficial, o presidente russo avaliou como “positiva” a conversa com Lula e reconheceu a atuação brasileira no esforço diplomático conjunto com a China.
Lula, por sua vez, agradeceu o telefonema e reafirmou o apoio do Brasil a “todos os esforços que conduzam a uma solução pacífica” para o conflito. Desejou também sucesso às negociações em andamento.
Interesse mútuo e Brics em pauta

Além da guerra, a ligação abordou a relação bilateral. A embaixada russa em Brasília confirmou que os presidentes demonstraram interesse no fortalecimento do diálogo e na ampliação da cooperação dentro do Brics, bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Para o Planalto, manter proximidade com Moscou é parte de uma estratégia mais ampla de inserção internacional do Brasil, ainda que isso exija equilibrar a relação com os Estados Unidos e a União Europeia, principais apoiadores de Kiev.
Tentativas frustradas de mediação

Esta foi a segunda vez em menos de dez dias que Lula e Putin conversaram por telefone sobre a guerra. No dia 9 de agosto, ambos já haviam discutido possibilidades de negociação.
O Brasil, ao lado da China, tenta articular um processo que leve Rússia e Ucrânia à mesa de diálogo. Até agora, porém, a iniciativa não surtiu efeito, diante da resistência ucraniana em ceder território e da insistência russa em impor condições consideradas inaceitáveis por Kiev.
Contexto internacional
A ligação ocorre em um momento de intensa movimentação diplomática. Nesta segunda-feira, Donald Trump recebe na Casa Branca o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e sete líderes europeus para tentar avançar nas negociações.
O encontro segue a reunião de Trump com Putin, que não trouxe avanços práticos, mas reforçou o papel do ex-presidente republicano como figura-chave nos rumos do conflito. A postura norte-americana é observada com cautela, já que Kiev teme ser pressionada a aceitar concessões territoriais.
O papel do Brasil
Com a guerra se prolongando e as grandes potências assumindo protagonismo, a diplomacia brasileira enfrenta obstáculos para ganhar influência real no processo de paz. Ainda assim, a insistência em manter canais abertos com Moscou, Kiev, Washington e Pequim reforça a estratégia de Lula de projetar o Brasil como ator global em temas de segurança internacional.
O desafio, no entanto, é converter esse protagonismo simbólico em resultados concretos, algo que até agora não ocorreu.
[ Fonte: G1.Globo ]