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Brasil e China avançam em projeto ambicioso para unir Atlântico e Pacífico por ferrovia

Um novo acordo entre Brasil e China pode transformar o mapa da infraestrutura sul-americana. A proposta de uma ferrovia que ligue o litoral brasileiro ao Pacífico promete acelerar exportações, reduzir custos e fortalecer a parceria entre os dois países. Mas o projeto ainda depende de estudos estratégicos para sair do papel.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O Brasil deu um passo importante rumo à integração logística com a Ásia ao firmar um memorando de entendimento com a China. O projeto visa estudar a viabilidade de uma ferrovia que conecte o território brasileiro ao porto de Chancay, no Peru, abrindo um corredor direto para o Pacífico. A iniciativa promete reduzir custos e tempo de transporte, além de intensificar os laços econômicos com seu principal parceiro comercial.

 

Um corredor logístico intercontinental

Ferrovia (2)
© Rustic Weather – Unsplash

O acordo assinado nesta segunda-feira (7) entre o Brasil e a China marca o início de uma colaboração estratégica voltada à criação de uma nova rota ferroviária. A ideia é conectar o interior brasileiro ao porto de Chancay, no Peru — recentemente inaugurado com apoio chinês — e, assim, facilitar o escoamento de exportações brasileiras rumo à Ásia, especialmente à China.

Essa rota permitiria a travessia do continente sul-americano de leste a oeste, ligando o Oceano Atlântico ao Pacífico por meio da malha ferroviária, reduzindo significativamente o tempo e os custos logísticos.

 

Como funcionará a parceria

Do lado brasileiro, o acordo foi firmado pela Infra S.A., empresa ligada ao Ministério dos Transportes. Já a China foi representada pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Econômico da China Railway. A cerimônia ocorreu de forma virtual, com autoridades dos dois países participando em tempo real.

O memorando estabelece uma cooperação técnica entre as equipes brasileira e chinesa, que irão conduzir estudos sobre a malha logística nacional. O foco será a integração entre diferentes modais — ferrovias, rodovias e hidrovias — com base em critérios de sustentabilidade econômica, social e ambiental.

 

Um trajeto estratégico

O plano inicial prevê que a ferrovia partirá do estado da Bahia e cruzará Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre até alcançar o Peru. A expectativa é que o traçado aproveite trechos já existentes da malha ferroviária brasileira, o que pode reduzir custos e acelerar o cronograma do projeto.

Segundo estimativas do governo peruano, a nova rota poderia reduzir de 40 para 28 dias o tempo necessário para transportar cargas entre América do Sul e Ásia, criando um novo eixo de comércio global.

 

Nova Rota da Seda sem adesão formal

O porto de Chancay faz parte da iniciativa chinesa “Cinturão e Rota” — também chamada de Nova Rota da Seda — que busca expandir a infraestrutura global com investimentos da China. No entanto, o Brasil não aderiu formalmente a esse programa. A posição do governo Lula é que, dado o já expressivo volume de comércio e investimento com a China, uma adesão oficial não é essencial.

Brasil e China já colaboram por meio de fóruns multilaterais como o Brics, o que abre espaço para parcerias estratégicas sem compromissos institucionais mais amplos.

 

Expectativas e próximos passos

Leonardo Ribeiro, secretário Nacional de Transporte Ferroviário, vê o acordo como “um passo estratégico para o setor ferroviário brasileiro”. Segundo ele, os estudos realizados entre 2015 e 2016 não avançaram por falta de contexto político e estrutura adequada — situação que hoje é diferente, dada a expansão recente da infraestrutura logística no país.

O memorando tem validade inicial de cinco anos e poderá ser prorrogado conforme o andamento dos estudos. Ainda não há estimativa oficial de custo para a construção da ferrovia — esses valores serão definidos ao longo do processo de planejamento.

 

[ Fonte: G1.Globo ]

 

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