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Brasil e EUA retomam negociações, mas impasse sobre tarifas continua

Após o encontro entre Lula e Trump na Malásia, os dois países mantêm diálogo aberto sobre o “tarifaço”, mas ainda sem acordo. O governo brasileiro prepara uma nova rodada de negociações em Washington para tentar evitar perdas no comércio bilateral.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O governo brasileiro planeja enviar uma delegação a Washington na próxima semana para continuar as discussões sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A decisão foi tomada após o primeiro encontro oficial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano Donald Trump, realizado no último domingo (26), em Kuala Lumpur, na Malásia.

Embora o clima tenha sido descrito como “amistoso e cordial”, a reunião terminou sem avanços concretos em relação às tarifas que afetam setores estratégicos da economia brasileira.

Diplomacia em marcha

De acordo com o Itamaraty, uma primeira conversa técnica entre as delegações dos dois países ocorreu já nesta segunda-feira (27). O objetivo é abrir um canal permanente de diálogo sobre as medidas tarifárias adotadas pelos EUA e discutir possíveis exceções ou flexibilizações.

Fontes diplomáticas ouvidas pela CNN Brasil afirmam que o pedido para uma nova rodada de negociações partiu do próprio presidente Lula, que demonstrou preocupação com os impactos das tarifas sobre o agronegócio, o aço e o alumínio brasileiros.

Um tarifaço que ameaça o comércio bilateral

O pacote de medidas implementado por Washington — apelidado de “tarifaço” — vem gerando tensões com diversos parceiros comerciais. No caso do Brasil, as tarifas incidem principalmente sobre produtos siderúrgicos, agrícolas e industriais, setores que têm forte peso nas exportações.

Autoridades brasileiras afirmam que o protecionismo norte-americano pode comprometer bilhões de dólares em trocas comerciais e colocar em risco cadeias produtivas integradas, especialmente nas áreas de energia, mineração e insumos agrícolas.

Estratégia brasileira: diálogo e diversificação

Enquanto busca uma saída negociada com os EUA, o governo Lula também tenta diversificar as parcerias internacionais. Diplomatas destacam que o Brasil vem ampliando o diálogo com a União Europeia, a China e países do Sudeste Asiático, numa tentativa de reduzir a dependência do mercado norte-americano.

Ainda assim, Washington continua sendo um parceiro estratégico, e o Itamaraty vê nas conversas atuais uma oportunidade para reposicionar o Brasil como aliado econômico e político relevante nas Américas.

Próximos passos

A delegação brasileira deve incluir representantes dos ministérios da Economia, Relações Exteriores e Desenvolvimento, Indústria e Comércio, além de técnicos ligados ao setor privado. O grupo levará propostas para mitigar as tarifas e buscar compromissos de cooperação em áreas como transição energética e inovação tecnológica.

Fontes diplomáticas avaliam que um acordo completo ainda está distante, mas o tom da conversa entre Lula e Trump sinaliza uma tentativa de reconstruir pontes após meses de tensão comercial.

O sucesso das negociações dependerá da disposição da Casa Branca em rever parte de suas medidas protecionistas, num contexto em que a política interna dos EUA segue pressionada por disputas eleitorais e demandas da indústria local.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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