A chegada da internet via satélite da Starlink à Amazônia revolucionou a conectividade em uma das regiões mais remotas do planeta. Com acesso rápido e portátil, comunidades antes isoladas puderam finalmente se conectar ao mundo. No entanto, o mesmo avanço também beneficiou redes criminosas, que passaram a usar o serviço para coordenar garimpos ilegais, traficar informações e escapar de operações policiais. Agora, um novo acordo tenta virar esse jogo.
Um acordo sem precedentes
Starlink providing reliable connectivity in the Brazilian Amazon 🛰️❤️ pic.twitter.com/YL80sBGGj5
— Tesla Owners Silicon Valley (@teslaownersSV) June 8, 2025
O Ministério Público Federal anunciou nesta sexta-feira (28) que firmou um acordo com a Starlink para restringir o uso de seus equipamentos em atividades criminosas na Amazônia. Trata-se da primeira parceria do tipo entre autoridades brasileiras e a empresa de Elon Musk.
A partir de janeiro, todos os novos usuários da Starlink na Amazônia deverão apresentar documento de identidade e comprovante de residência para ativar o serviço. Além disso, a empresa se comprometeu a fornecer dados de geolocalização e registro de usuários que estejam em áreas sob investigação.
Se uma antena for identificada como parte de uma operação criminosa, a Starlink poderá cortar o sinal de forma imediata. O acordo tem validade inicial de dois anos, com possibilidade de renovação.
Internet rápida a serviço do crime
A Starlink começou a operar na região amazônica em 2022. Sua tecnologia portátil e de alta velocidade logo chamou a atenção de grupos que atuam em garimpos ilegais e outras atividades clandestinas em áreas protegidas e terras indígenas, como as dos Yanomami.
Com os novos recursos, os criminosos passaram a receber pagamentos, coordenar o transporte de insumos e até monitorar a movimentação de agentes ambientais em tempo real. “Eles conseguem transmitir ao vivo a localização das nossas equipes, antecipando ações e comprometendo a segurança do pessoal”, explicou Hugo Loss, coordenador de operações do Ibama, à agência Associated Press.
Um avanço na proteção ambiental
Segundo o procurador federal André Porreca, o uso da tecnologia para finalidades ilícitas exige uma resposta jurídica proporcional. “A internet via satélite transformou a logística do garimpo ilegal. Com o acordo, a conectividade também passa a ser uma ferramenta de responsabilidade ambiental e respeito à soberania”, afirmou.
A atividade garimpeira tem causado estragos imensos na Amazônia. Rios foram contaminados por mercúrio, habitats destruídos e comunidades indígenas profundamente afetadas. A tecnologia da Starlink, em vez de promover progresso sustentável, estava alimentando esse ciclo de destruição.
A importância de mais fiscalização
Para Jair Schmitt, diretor de proteção ambiental do Ibama, o acordo com a Starlink é um passo importante, mas não suficiente. Segundo ele, também é necessário regulamentar com mais rigor a venda e uso de equipamentos de internet via satélite. “Precisamos de regras mais claras e fiscalização efetiva para evitar que essa tecnologia continue caindo nas mãos erradas”, disse.
A Starlink não respondeu de imediato aos questionamentos enviados pela Associated Press ao vice-presidente de comunicações da SpaceX, James Gleeson.
[ Fonte: AP News ]