Pular para o conteúdo
Tecnologia

Brasil fecha acordo inédito com Starlink para combater crimes na Amazônia

Depois de anos de pressão, a Justiça brasileira conseguiu o que parecia improvável: um compromisso da Starlink, empresa de Elon Musk, para restringir o uso de sua internet por criminosos que atuam no garimpo ilegal e em outras atividades ilícitas na região amazônica. A tecnologia que facilitava o crime agora pode se tornar uma aliada da fiscalização.
Por

Tempo de leitura: 2 minutos

A chegada da internet via satélite da Starlink à Amazônia revolucionou a conectividade em uma das regiões mais remotas do planeta. Com acesso rápido e portátil, comunidades antes isoladas puderam finalmente se conectar ao mundo. No entanto, o mesmo avanço também beneficiou redes criminosas, que passaram a usar o serviço para coordenar garimpos ilegais, traficar informações e escapar de operações policiais. Agora, um novo acordo tenta virar esse jogo.

 

Um acordo sem precedentes

O Ministério Público Federal anunciou nesta sexta-feira (28) que firmou um acordo com a Starlink para restringir o uso de seus equipamentos em atividades criminosas na Amazônia. Trata-se da primeira parceria do tipo entre autoridades brasileiras e a empresa de Elon Musk.

A partir de janeiro, todos os novos usuários da Starlink na Amazônia deverão apresentar documento de identidade e comprovante de residência para ativar o serviço. Além disso, a empresa se comprometeu a fornecer dados de geolocalização e registro de usuários que estejam em áreas sob investigação.

Se uma antena for identificada como parte de uma operação criminosa, a Starlink poderá cortar o sinal de forma imediata. O acordo tem validade inicial de dois anos, com possibilidade de renovação.

 

Internet rápida a serviço do crime

A Starlink começou a operar na região amazônica em 2022. Sua tecnologia portátil e de alta velocidade logo chamou a atenção de grupos que atuam em garimpos ilegais e outras atividades clandestinas em áreas protegidas e terras indígenas, como as dos Yanomami.

Com os novos recursos, os criminosos passaram a receber pagamentos, coordenar o transporte de insumos e até monitorar a movimentação de agentes ambientais em tempo real. “Eles conseguem transmitir ao vivo a localização das nossas equipes, antecipando ações e comprometendo a segurança do pessoal”, explicou Hugo Loss, coordenador de operações do Ibama, à agência Associated Press.

 

Um avanço na proteção ambiental

Segundo o procurador federal André Porreca, o uso da tecnologia para finalidades ilícitas exige uma resposta jurídica proporcional. “A internet via satélite transformou a logística do garimpo ilegal. Com o acordo, a conectividade também passa a ser uma ferramenta de responsabilidade ambiental e respeito à soberania”, afirmou.

A atividade garimpeira tem causado estragos imensos na Amazônia. Rios foram contaminados por mercúrio, habitats destruídos e comunidades indígenas profundamente afetadas. A tecnologia da Starlink, em vez de promover progresso sustentável, estava alimentando esse ciclo de destruição.

 

A importância de mais fiscalização

Para Jair Schmitt, diretor de proteção ambiental do Ibama, o acordo com a Starlink é um passo importante, mas não suficiente. Segundo ele, também é necessário regulamentar com mais rigor a venda e uso de equipamentos de internet via satélite. “Precisamos de regras mais claras e fiscalização efetiva para evitar que essa tecnologia continue caindo nas mãos erradas”, disse.

A Starlink não respondeu de imediato aos questionamentos enviados pela Associated Press ao vice-presidente de comunicações da SpaceX, James Gleeson.

[ Fonte: AP News ]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados