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Brasil reivindica território submerso do tamanho da Espanha com minerais estratégicos para o futuro

Uma gigantesca formação geológica escondida a 5 mil metros de profundidade no Atlântico Sul pode garantir ao Brasil acesso a minerais considerados chave para a transição energética global. Pesquisadores afirmam que a estrutura submersa já foi uma ilha tropical. O país aguarda agora a decisão da ONU sobre sua posse.
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Uma antiga ilha vulcânica do tamanho da Espanha, hoje submersa no Atlântico, pode se tornar oficialmente parte do território brasileiro. Cientistas brasileiros comprovam que o solo da chamada Elevação do Rio Grande tem a mesma origem geológica do interior de São Paulo — e abriga “terras raras”, minerais estratégicos no cenário global. O Brasil já formalizou seu pedido à ONU e aguarda a resposta.

 

Um continente perdido — e cheio de riquezas

Localizada a cerca de 1.200 km da costa do Rio Grande do Sul, a Elevação do Rio Grande tem 500 mil km² e está a 5 mil metros de profundidade. Estudos da USP mostram que a formação geológica é rica em basalto, argila vermelha e, principalmente, “terras raras” — minerais essenciais para tecnologias de energia limpa, como baterias, turbinas eólicas e carros elétricos.

Segundo a pesquisadora Carina Ulsen, “esses minerais não podem ser fabricados — ou você tem a reserva, ou não tem”. E o Brasil, segundo ela, tem. “O que encontramos na Elevação é uma concentração anômala”, afirma.

 

O pedido à ONU e a disputa por soberania

A reivindicação do Brasil está sendo avaliada desde fevereiro de 2025 pela Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC), da ONU. A solicitação foi feita com base na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, que permite a ampliação da plataforma continental desde que se comprove continuidade geológica com o continente.

A Elevação do Rio Grande fica fora da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) brasileira — que se estende por 200 milhas náuticas (cerca de 370 km) a partir do litoral. Se o pedido for aceito, o Brasil poderá explorar recursos do local com exclusividade.

 

Evidências de uma ilha tropical

Pesquisadores da USP encontraram picos submersos com mais de 4 mil metros de altura — mais altos que o Pico da Neblina, ponto mais elevado do Brasil. As camadas de solo mostram sinais de erosão por vento, chuva e ondas, além de sucessivas erupções vulcânicas.

As expedições científicas começaram em 2018, quando um navio de pesquisa fez dragagens da superfície do fundo marinho. Meses depois, uma missão internacional com um robô submarino confirmou a estrutura de argila vermelha entre camadas de basalto — características típicas de solos tropicais vulcânicos.

O pesquisador Luigi Jovane reforça: “Esses indícios mostram que a Elevação já foi uma ilha, ligada diretamente ao continente. Isso é crucial para a reivindicação brasileira.”

 

O futuro dos minerais raros

Mesmo com a segunda maior reserva de “terras raras” do mundo, o Brasil ainda enfrenta desafios para refinar e transformar esses minerais. A maior parte da extração ocorre como commodity bruta, sem agregação de valor industrial.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o domínio sobre uma reserva submersa estratégica pode colocar o Brasil em posição privilegiada no mapa da transição energética global. Ainda assim, pesquisadores alertam: o objetivo imediato não é minerar, mas entender a biodiversidade, a geologia e o impacto ambiental da região.

 

Próximos passos

Além da Elevação do Rio Grande, o Brasil reivindica outras duas áreas além da ZEE: a Região Sul e a Margem Equatorial. A expectativa é que a decisão da ONU sobre a Elevação seja favorável, uma vez que um parecer técnico recente reconheceu a metodologia brasileira como válida.

Enquanto isso, equipes de universidades como USP, Mackenzie, UERJ, UNB, Unisinos e Ufes seguem estudando a formação, com foco em aspectos jurídicos, ambientais, geológicos e tecnológicos.

Se reconhecido pela ONU, o território poderá abrir uma nova fronteira de conhecimento científico e, possivelmente, de soberania econômica para o Brasil nas próximas décadas.

 

[ Fonte: G1.Globo ]

 

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