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Ciência

Pegadas em escombros vulcânicos: o mistério resolvido após 350.000 anos

Essa descoberta lança luz sobre um enigma da pré-história e confirma as adaptações dos nossos ancestrais a ambientes extremos.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Uma recente descoberta identificou os responsáveis pelas misteriosas «Pegadas do Diabo» no vulcão Roccamonfina, na Itália. Essas marcas, deixadas após uma erupção vulcânica há 350.000 anos, finalmente revelam qual espécie humana caminhou por um terreno tão hostil.

Quem deixou as «Pegadas do Diabo»?

O estudo concluiu que as pegadas pertencem ao Homo heidelbergensis, uma espécie extinta que viveu na Europa durante o Pleistoceno Médio. Essas pegadas foram deixadas por pelo menos quatro indivíduos, com alturas variando entre 1,53 e 1,77 metros e pesos de 55 a 65 quilos.

As marcas ficaram registradas em uma superfície de ignimbrito, um depósito de fluxo piroclástico que, enquanto ainda estava macio, permitiu que esses hominídeos caminhassem com dificuldade devido à inclinação e à textura escorregadia do terreno. A peculiaridade das marcas, que pareciam não humanas, deve-se à necessidade dos caminhantes de modificar seu passo para evitar quedas.

Desafios para os pesquisadores: analisar pegadas em terreno inclinado

A análise das pegadas foi complexa, já que os métodos tradicionais são projetados para superfícies planas. Os pesquisadores tiveram que ajustar modelos matemáticos para considerar a inclinação e a deformação das marcas, obtendo estimativas mais precisas sobre as dimensões dos indivíduos.

Esse enfoque permitiu confirmar que o Homo heidelbergensis, uma espécie robusta e adaptada a diversas condições, foi o responsável pelas pegadas. Esse hominídeo, antecessor dos neandertais e dos humanos modernos, habitou a Europa durante um período entre 600.000 e 200.000 anos atrás.

Importância da descoberta

Essa descoberta, publicada na revista Quaternary, reforça nossa compreensão de como os hominídeos pré-históricos interagiram com ambientes extremos. Além disso, confirma a capacidade do Homo heidelbergensis de se adaptar a paisagens hostis, como a do vulcão Roccamonfina.

As «Pegadas do Diabo» agora se somam ao registro fóssil que documenta a presença dessa espécie na Europa, junto a outros achados importantes, como os de Atapuerca, na Espanha. Esses avanços nos aproximam de uma visão mais completa sobre nossos ancestrais e sua forma de enfrentar os desafios da sua época.

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