O túnel que vai mudar a Baixada Santista
A publicação no Diário Oficial do Estado confirmou o fim dos recursos e oficializou a Mota-Engil como responsável por implantar, operar e manter o Túnel Imerso Santos–Guarujá pelos próximos 30 anos, em regime de parceria público-privada (PPP). A empresa venceu o leilão realizado na B3, em São Paulo, e agora parte para a assinatura do contrato e início das obras.
O projeto é um marco da engenharia nacional. O túnel terá 1,5 km de extensão, sendo 870 metros totalmente submersos sob o estuário que separa as duas cidades — algo inédito no Brasil. Hoje, o trajeto é feito por balsas que levam em média 18 minutos e vivem cheias de filas. Com o túnel, a travessia deve cair para apenas dois minutos.
O desafio de construir sob o mar
A proposta prevê uma travessia imersa semelhante às que já existem na Dinamarca e na China, onde estruturas pré-moldadas são afundadas e conectadas no fundo do canal. Além da ousadia técnica, a obra será acompanhada por um rigoroso sistema de monitoramento ambiental.
A Autoridade Portuária de Santos (APS) instalou uma sala exclusiva para acompanhar o projeto e criou o Comitê Regional Permanente de Monitoramento de Impactos Ambientais. O grupo vai fiscalizar eventuais interferências nas operações portuárias e garantir que a rotina urbana das cidades seja preservada durante as obras.
R$ 6,8 bilhões em jogo e impacto direto na economia local
O investimento total é estimado em R$ 6,8 bilhões, com participação do governo federal e do governo do Estado de São Paulo. A APS atua como interveniente, responsável por aprovar medidas e assegurar que as atividades portuárias continuem funcionando durante a construção.
A expectativa é que o túnel gere milhares de empregos diretos e indiretos, impulsione o turismo regional e aumente a eficiência logística de uma das regiões mais estratégicas do país.
Um sonho de 100 anos prestes a virar realidade
O presidente da APS, Anderson Pomini, celebrou o avanço do projeto:
“É um compromisso que assumimos e que toma forma, tornando cada vez mais próximo esse sonho de 100 anos da Baixada Santista.”
A ligação seca entre Santos e Guarujá é um desejo antigo de moradores e autoridades — discutido há décadas, mas travado por custos e desafios técnicos. Agora, o cenário mudou: a modelagem de PPP garantirá a concessão por três décadas, ao fim das quais o ativo retorna ao poder público.
O que vem a seguir
Com o leilão concluído e a Mota-Engil confirmada, o próximo passo é a assinatura do contrato e o início da mobilização dos canteiros de obra. Enquanto isso, o comitê técnico trabalha para alinhar cronogramas de escavação com o fluxo de navios no canal portuário, evitando prejuízos à operação.
Se tudo correr conforme o cronograma, o túnel submerso poderá começar a ser escavado em breve — marcando o início de uma nova era para a infraestrutura brasileira e um divisor de águas para quem vive e trabalha na Baixada Santista.
[Fonte: Click petroleo e gas]