Santos e Guarujá estão separadas por um canal, mas atravessar essa distância pode exigir filas de balsa ou um longo desvio por rodovias. O projeto do primeiro túnel imerso do Brasil pretende mudar essa rotina: criar uma ligação direta sob o acesso ao Porto de Santos e reduzir para cerca de cinco minutos um deslocamento que hoje pode ultrapassar uma hora.
A solução chama atenção pela técnica de construção. Em vez de escavar todo o percurso por baixo do canal, os responsáveis vão fabricar grandes módulos de concreto fora da água e depois posicioná-los no fundo, formando a passagem entre as duas cidades.
Uma ligação curta para evitar um grande desvio

O canal portuário representa uma barreira para quem precisa circular entre os municípios. Atualmente, motoristas podem utilizar a travessia por balsas ou contornar a região por terra, em um percurso rodoviário de aproximadamente 40 quilômetros. A espera pelas embarcações pode aumentar bastante o tempo total da viagem.
Segundo as informações do governo paulista sobre o empreendimento, o investimento estimado é de R$ 6,8 bilhões, em um modelo de parceria público-privada.
A estrutura terá aproximadamente 1,5 quilômetro de extensão, com 870 metros imersos sob o canal. O projeto prevê três faixas de circulação por sentido, passagem para pedestres, ciclovia, galeria técnica e infraestrutura adaptável ao Veículo Leve sobre Trilhos, o VLT.
Isso amplia o alcance da obra para além dos automóveis. A proposta é oferecer uma conexão permanente também para quem atravessa a região a pé, de bicicleta ou em transporte coletivo.
Como os módulos vão parar debaixo da água
A técnica de túnel imerso divide a construção em etapas. Primeiro, os módulos de concreto tomam forma em uma doca seca. Depois, seguem flutuando até o local de instalação, onde equipamentos controlam sua descida até uma trincheira previamente dragada no leito do canal.
Na sequência, as equipes conectam os elementos e vedam as juntas. O conjunto passa a funcionar como uma passagem contínua, com acessos nas duas margens.
Essa solução permite construir boa parte da estrutura fora do canal. Ainda assim, transportar, alinhar e unir peças desse porte exige planejamento, especialmente em uma área que também atende à navegação comercial.
A opção subterrânea procura preservar a passagem dos navios. Uma ponte precisaria oferecer altura suficiente para as embarcações ou adotar um sistema móvel, acrescentando outras limitações à ligação entre as cidades.
Quem vai construir e operar o túnel
O grupo português Mota-Engil venceu o leilão realizado em setembro de 2025. O contrato da parceria público-privada veio em janeiro de 2026.
A empresa confirma uma concessão de 30 anos para construção e operação da infraestrutura. A responsabilidade pelo empreendimento envolve, portanto, tanto a implantação quanto o funcionamento da ligação depois da entrega.
Para a Baixada Santista, a expectativa é melhorar os deslocamentos cotidianos e reforçar a conexão entre as duas margens do complexo portuário. O benefício prometido depende também da integração do túnel com os acessos viários das cidades.
Quando a travessia deve começar a funcionar
O cronograma oficial do projeto reserva 2026 aos projetos e à preparação do empreendimento. Para 2027, prevê mobilização dos canteiros, construção da doca seca e dragagens preliminares.
A fabricação dos módulos está programada para 2028. A imersão e a montagem devem ocorrer em 2029, seguidas pelos acabamentos, instalação de sistemas e testes em 2030. O início da operação comercial está previsto para 2031.
Até lá, os cinco minutos de travessia permanecem uma projeção. Transformá-los em rotina exigirá concluir uma sequência de obras em terra e debaixo da água, mantendo a compatibilidade com o movimento do porto.