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Tecnologia

Câmeras de robôs de delivery provocam polêmica sobre privacidade nos Estados Unidos

Empresas de entregas autônomas enfrentam acusações de coletar informações pessoais sem autorização. O caso levanta uma questão delicada sobre os limites da inteligência artificial em espaços públicos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Imagine pedir comida pelo aplicativo e descobrir que sua entrega será feita por um pequeno robô. Ele chega sozinho, desvia de obstáculos e utiliza câmeras para circular pela calçada. Tudo parece conveniente, até surgir uma pergunta: o que acontece com as imagens captadas durante o percurso? Nos Estados Unidos, duas empresas enfrentam processos que colocam essa tecnologia sob suspeita e podem influenciar o futuro das entregas automatizadas.

Empresas de robôs entregadores são acusadas de coletar dados biométricos

As empresas Coco Robotics e Serve Robotics enfrentam ações coletivas apresentadas em 9 de outubro de 2026, no condado de Cook, em Illinois, nos Estados Unidos.

Os processos alegam que robôs utilizados para entregas de comida teriam registrado características físicas de clientes sem fornecer informações adequadas ou solicitar consentimento.

As acusações envolvem possíveis violações da Lei de Privacidade de Informações Biométricas de Illinois, conhecida como BIPA.

Segundo os autores das ações, os dispositivos poderiam captar medidas relacionadas à geometria facial e das mãos.

Um dos clientes afirma ter recebido uma entrega do DoorDash por meio de um robô da Coco Robotics, apesar de não ter escolhido especificamente essa modalidade.

Ao se aproximar para retirar o pedido, ele alega que o equipamento registrou imagens de seu rosto, cabeça e mãos.

O processo também menciona a possível supervisão da entrega por um operador remoto.

Outra denúncia envolve robôs da Serve Robotics utilizados em entregas realizadas pelo Uber Eats.

As alegações ainda não foram comprovadas judicialmente, e as empresas contestam a interpretação apresentada pelos denunciantes.

Por que esses robôs precisam de câmeras para circular pelas cidades?

Os robôs entregadores dependem de sistemas capazes de interpretar o ambiente ao redor.

Para atravessar calçadas, evitar pedestres e reconhecer obstáculos, utilizam câmeras, sensores e recursos de inteligência artificial.

Alguns veículos autônomos também empregam tecnologias como o LiDAR, que utiliza pulsos de laser para calcular distâncias e representar espaços tridimensionais.

O problema levantado pelos processos não é simplesmente a presença dessas ferramentas.

A controvérsia envolve o tratamento das informações captadas durante a navegação.

Os autores das ações questionam se determinadas imagens poderiam ser processadas como identificadores biométricos, armazenadas, utilizadas no treinamento de algoritmos ou compartilhadas com terceiros.

Entretanto, existe uma diferença fundamental entre registrar uma imagem e extrair dela informações biométricas capazes de identificar uma pessoa.

Uma câmera pode captar rostos durante a navegação sem necessariamente realizar reconhecimento facial ou criar perfis individuais.

Essa distinção será essencial para determinar se as práticas descritas realmente violam a legislação de Illinois.

As empresas negam que seus robôs estejam identificando pessoas

A Coco Robotics rejeitou as acusações e afirmou que não coleta informações biométricas em Chicago.

A empresa também declarou que seus robôs não utilizam LiDAR na cidade e que os dados compartilhados com terceiros são informações anônimas relacionadas à navegação.

A Serve Robotics apresentou uma explicação semelhante.

Segundo a companhia, câmeras e sensores são utilizados para permitir deslocamentos seguros, e seus sistemas não foram projetados para identificar indivíduos ou construir perfis biométricos.

Ambas informaram que pretendem contestar as alegações nos tribunais.

O conflito evidencia uma dificuldade crescente para tecnologias autônomas: demonstrar que informações coletadas para segurança operacional não estão sendo utilizadas para finalidades incompatíveis com a privacidade dos cidadãos.

Uma lei de Illinois pode influenciar o futuro das entregas automatizadas

A legislação BIPA estabelece exigências específicas para organizações que coletam identificadores biométricos.

Entre elas estão informar previamente a finalidade da coleta, obter o consentimento necessário e estabelecer regras para conservação e destruição dos dados.

As ações mencionam indenizações que podem chegar a US$ 5 mil por infração intencional ou imprudente, conforme as condições previstas na legislação.

Enquanto isso, Chicago mantém um programa experimental de entregas por robôs, com autorização prevista até maio de 2027, salvo alterações das autoridades.

Ainda não existe uma decisão judicial que confirme as supostas irregularidades.

Entretanto, o caso pode ajudar a definir como empresas de robótica deverão lidar com imagens e informações captadas em espaços públicos.

A questão vai além das entregas de comida.

À medida que máquinas autônomas passam a circular entre pedestres, garantir trajetos seguros deixa de ser o único desafio.

Também será necessário demonstrar que esses sistemas conseguem observar o ambiente sem transformar pessoas em fontes de dados biométricos coletados indevidamente.

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