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Cada vez mais pessoas usam guarda-chuva para fugir do sol, mas a ciência faz um alerta importante

O guarda-chuva virou um aliado inesperado contra o calor intenso, mas especialistas explicam por que ele não substitui outras formas de proteção e pode criar uma falsa sensação de segurança.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Com as ondas de calor cada vez mais frequentes, qualquer sombra parece bem-vinda. Nas ruas de diversas cidades, uma cena antes incomum está se tornando parte da paisagem: pessoas caminhando sob guarda-chuvas para escapar da radiação solar. A prática, tradicional em vários países asiáticos, começa a ganhar espaço também no Ocidente. Mas será que esse hábito realmente protege a pele? Estudos científicos mostram que a resposta é mais complexa do que parece.

O guarda-chuva realmente bloqueia os raios solares?

O uso do guarda-chuva como proteção contra o sol cresceu nos últimos anos, impulsionado pelas temperaturas recordes registradas em diferentes regiões do mundo. A ideia faz sentido à primeira vista: criar uma barreira física entre a pele e a radiação ultravioleta reduz a exposição direta ao Sol.

Essa hipótese já foi analisada cientificamente. Um estudo publicado em 2013 na revista JAMA Dermatology avaliou dezenas de modelos de guarda-chuvas e constatou que eles podem bloquear entre 77% e 99% da radiação ultravioleta.

Os resultados, no entanto, mostraram que a eficiência varia bastante conforme o modelo utilizado.

Os guarda-chuvas de cor preta ou em tons muito escuros apresentaram o melhor desempenho, conseguindo bloquear de forma consistente mais de 90% dos raios UV. Já modelos com tecidos mais claros ou materiais menos densos oferecem níveis inferiores de proteção.

Esses dados despertaram até o interesse da indústria, que passou a divulgar alguns produtos com índices de proteção semelhantes aos utilizados em protetores solares. Ainda assim, os dermatologistas fazem um alerta: confiar apenas no guarda-chuva pode ser um erro.

O problema está na radiação que chega por todos os lados

Cada vez mais pessoas usam guarda-chuva para fugir do sol, mas a ciência faz um alerta importante
© Fatih Turan – Pexels

Embora o guarda-chuva reduza significativamente a incidência direta dos raios solares, ele não elimina outra fonte importante de exposição: a radiação ultravioleta difusa e refletida.

Quando a luz solar atinge superfícies como asfalto, calçadas, areia, água, fachadas de vidro e concreto, parte dessa radiação é refletida em diferentes direções.

Isso significa que os raios UV conseguem atingir a pele pelas laterais e até por baixo do guarda-chuva, mesmo quando a cabeça permanece totalmente protegida da luz direta.

Esse fenômeno explica por que muitas pessoas sofrem queimaduras mesmo permanecendo durante horas sob um guarda-sol na praia.

A sombra reduz a exposição, mas não impede completamente que a radiação alcance áreas descobertas do corpo.

O que dizem os estudos sobre sombra e protetor solar

A limitação da proteção oferecida pela sombra também foi demonstrada em outro estudo, publicado em 2017.

Na pesquisa, cientistas compararam pessoas protegidas apenas por um guarda-sol de praia com outras que utilizaram protetor solar de alto fator de proteção.

Os resultados mostraram que participantes que confiaram exclusivamente na sombra apresentaram queimaduras solares, enquanto aqueles que utilizaram corretamente o protetor tiveram uma proteção significativamente maior.

Por esse motivo, especialistas recomendam que o guarda-chuva seja visto como uma medida complementar, e não como substituto do filtro solar.

O ideal é combinar diferentes estratégias de proteção, como aplicar protetor solar adequado, utilizar roupas com proteção UV, óculos escuros, chapéus e evitar exposição prolongada durante os horários de maior intensidade solar.

Em outras palavras, caminhar sob um guarda-chuva pode ajudar a reduzir a quantidade de radiação recebida, especialmente quando ele possui tecido escuro e boa capacidade de bloqueio. Porém, como os raios ultravioleta continuam chegando por reflexão e dispersão, o uso do filtro solar permanece indispensável para diminuir o risco de queimaduras, envelhecimento precoce da pele e câncer de pele.

[Fonte: Xataka]

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