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Trump promete transformar o estreito de Ormuz em território dos EUA e eleva tensão com o Irã em meio a guerra, ataques a petroleiros e nova ofensiva econômica de Washington

Em meio à guerra e à disputa por uma das rotas comerciais mais importantes do mundo, Donald Trump lançou uma declaração provocadora enquanto Washington prepara uma nova ofensiva econômica.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A escalada entre Estados Unidos e Irã ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira. Enquanto Washington sustenta que está ampliando seu controle militar sobre uma passagem marítima vital para a economia mundial, Donald Trump fez uma declaração que vai muito além do bloqueio atualmente imposto. Ao mesmo tempo, ataques contra petroleiros, novas sanções e a situação das forças americanas aumentam a pressão em uma região já profundamente instável.

Trump diz que pretende declarar o estreito de Ormuz território americano

Trump promete transformar o estreito de Ormuz em território dos EUA e eleva tensão com o Irã em meio a guerra, ataques a petroleiros e nova ofensiva econômica de Washington
© Unsplash

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende declarar “em breve” o estreito de Ormuz como território americano. A declaração foi feita durante um evento em uma academia de polícia no estado de Nova York e representa mais uma escalada retórica em meio ao conflito com o Irã.

Trump vinculou a iniciativa ao resultado da guerra. Segundo ele, a medida seria adotada depois que os Estados Unidos terminassem de derrotar o governo iraniano, que, na avaliação do presidente, estaria sofrendo pesadas perdas.

O republicano também voltou a destacar o bloqueio imposto por Washington e afirmou que os Estados Unidos construíram uma espécie de “parede de aço” na região. Na prática, Trump sustenta que nenhuma embarcação consegue atravessar determinadas áreas sem a autorização americana.

A declaração chama atenção principalmente pela importância estratégica do estreito de Ormuz. Antes do atual conflito, aproximadamente um quinto do petróleo e do gás comercializados mundialmente passava pela rota marítima.

Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra contra o Irã em 28 de fevereiro, com o objetivo declarado de encerrar o controverso programa nuclear iraniano. Washington também aposta que a pressão militar e econômica possa desencadear uma mobilização interna capaz de provocar uma mudança de regime.

Irã ampliou seu controle e petroleiros foram atacados

A resposta iraniana alterou significativamente a situação no estreito. Desde o início da guerra, Teerã estabeleceu um controle de fato sobre boa parte da passagem marítima, algo que não possuía na mesma dimensão antes do conflito.

Em reação, os Estados Unidos passaram a bloquear portos iranianos na tentativa de reduzir drasticamente a capacidade comercial do país e aumentar a pressão sobre sua economia.

A tensão cresceu novamente após os Emirados Árabes Unidos acusarem o Irã de atacar com drones dois petroleiros operados pela ADNOC, companhia estatal de petróleo e gás de Abu Dhabi.

As embarcações navegavam pelo estreito de Ormuz quando foram atingidas na noite de quinta-feira. Segundo a empresa, não houve feridos e a situação acabou sendo controlada.

O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados responsabilizou diretamente Teerã e classificou o episódio como uma violação dos princípios internacionais de liberdade de navegação. O governo também acusou a Guarda Revolucionária iraniana de transformar a passagem marítima em instrumento de pressão econômica.

O Irã não havia respondido às acusações mencionadas no relato.

Washington prepara uma nova ofensiva contra a economia iraniana

A pressão militar deve ser acompanhada por novas medidas econômicas. Em entrevista à Fox News, Trump afirmou que os Estados Unidos pretendem atingir duramente a economia iraniana e indicou que sua estratégia não está condicionada ao calendário eleitoral americano.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, também antecipou que Washington prepara novos anúncios para os próximos dias.

Segundo Bessent, as medidas seriam de uma dimensão inédita na estratégia de isolamento econômico de um país. Ele, porém, não detalhou quais setores ou operações seriam atingidos.

Existe uma dificuldade importante. O Irã enfrenta sanções americanas há décadas, o que levanta dúvidas sobre quanto espaço ainda existe para ampliar significativamente a pressão sem atingir outros atores da economia global.

Uma possibilidade seria endurecer as medidas contra países que continuam comprando petróleo iraniano, incluindo China e Índia. Essa estratégia, entretanto, poderia provocar retaliações e ampliar ainda mais a volatilidade dos mercados energéticos.

O próprio conflito já trouxe consequências econômicas para os Estados Unidos, com aumento dos preços do petróleo e da gasolina, enquanto o estreito de Ormuz permanece no centro das preocupações sobre o abastecimento mundial.

Situação de porta-aviões americano também provoca questionamentos

Trump promete transformar o estreito de Ormuz em território dos EUA e eleva tensão com o Irã em meio a guerra, ataques a petroleiros e nova ofensiva econômica de Washington
© Por Photographer’s Mate 3rd Class Jordon R. Beesley – Commons Wikimedia

Enquanto Trump aumenta a pressão sobre Teerã, outro problema surgiu dentro da própria operação militar americana.

O USS Abraham Lincoln, atualmente no Mar Arábico, acumula cerca de nove meses de missão e passou mais de 200 dias sem atracar em um porto. O longo período de operação levantou questionamentos sobre as condições enfrentadas pela tripulação e o desgaste provocado pelo conflito.

Trump minimizou essas preocupações antes de viajar para Long Island. O presidente afirmou que um período superior a 260 dias não seria excessivamente longo e indicou que o porta-aviões deverá ser substituído em breve.

O USS George Washington, que deixou o porto vietnamita de Da Nang na semana anterior, é esperado como possível substituto do Lincoln, um dos dois porta-aviões americanos mobilizados atualmente no Oriente Médio.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, também rejeitou relatos sobre problemas a bordo, afirmando que as condições foram apresentadas de maneira distorcida. O Comando Central dos Estados Unidos igualmente contestou informações sobre condições inadequadas.

A Marinha americana declarou não ter observado aumento de casos de ideação ou tentativas de suicídio no navio, embora autoridades não tenham divulgado dados específicos, citando segurança operacional e privacidade médica.

O episódio acrescenta outra dimensão à guerra. Além da disputa pelo controle de uma das rotas marítimas mais importantes do planeta, Washington precisa administrar o desgaste humano e material provocado por uma operação prolongada. E a declaração de Trump sobre o futuro do estreito de Ormuz indica que, por enquanto, a tensão está longe de diminuir.

[Fonte: Clarin]

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