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Tecnologia

MIT combina biologia e engenharia para criar robô aquático controlado pela luz

Um dispositivo minúsculo consegue atravessar a água e mudar de direção sem engrenagens ou motores elétricos. A inovação combina engenharia com um mecanismo biológico incomum.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Quando pensamos em robôs, imaginamos circuitos eletrônicos, motores e peças mecânicas trabalhando em conjunto. Mas pesquisadores conseguiram construir uma máquina que desafia essa ideia. Pequena como um chiclete e com uma estrutura quase tão fina quanto uma folha de papel, ela consegue nadar e mudar de direção dentro de um recipiente com água. O mais impressionante é que seu movimento não depende de um sistema tradicional de propulsão.

O segredo do robô está em músculos vivos controlados pela luz

A tecnologia foi desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, e apresentada na revista científica Advanced Functional Materials.

O dispositivo pertence ao campo da robótica bio-híbrida, que combina materiais artificiais com componentes biológicos para produzir movimentos.

Em vez de motores convencionais, os cientistas utilizaram células musculares esqueléticas cultivadas em laboratório.

Essas células foram geneticamente modificadas para responder a estímulos luminosos, contraindo-se quando recebem luz.

O robô possui duas pequenas nadadeiras revestidas por camadas extremamente finas desse tecido muscular.

Quando ambas são iluminadas, suas contrações ajudam a impulsionar a estrutura pela água.

Ao estimular apenas uma delas, os pesquisadores conseguem modificar a direção do movimento.

Durante os experimentos, o dispositivo alcançou uma velocidade equivalente a aproximadamente quatro vezes o comprimento do próprio corpo por minuto.

Embora pareça pouco, o resultado demonstra que uma quantidade microscópica de tecido muscular pode gerar força suficiente para movimentar uma estrutura artificial.

Construir o esqueleto certo foi tão importante quanto desenvolver os músculos

O projeto enfrentou um desafio que não era simplesmente fazer as células se contraírem.

Os pesquisadores precisavam transformar movimentos microscópicos em deslocamentos capazes de impulsionar o robô.

A equipe liderada pela professora Ritu Raman já investigava estruturas musculares artificiais havia alguns anos.

Em experimentos anteriores, havia desenvolvido dispositivos inspirados no funcionamento da íris humana, mas os movimentos produzidos alcançavam apenas cerca de 100 micrômetros.

Para superar essa limitação, os cientistas passaram a estudar diferentes materiais flexíveis.

A solução envolveu um hidrogel conhecido como GelMA, produzido a partir de gelatina metacrilada.

Com a espessura e a rigidez adequadas, esse material conseguiu transmitir melhor a força das contrações musculares.

A estrutura utilizada no robô possui aproximadamente meio milímetro de espessura.

Os pesquisadores também criaram pequenos sulcos de fundo quadrado na superfície.

Esses canais orientam o crescimento das células, favorecendo a formação de fibras musculares alinhadas.

Como resultado, as contrações acontecem de maneira mais coordenada, aumentando a eficiência do movimento.

Pulsos de luz permitem controlar a direção do robô

Depois de aperfeiçoar o suporte flexível, os pesquisadores precisaram transformar o tecido muscular em um sistema de propulsão controlável.

Para isso, utilizaram estímulos luminosos repetidos, capazes de ativar as células modificadas geneticamente.

Em seguida, integraram duas nadadeiras musculares à estrutura do dispositivo.

Durante os testes, o pequeno robô foi colocado em uma placa de laboratório contendo água e obstáculos.

Ao direcionar manualmente a iluminação para diferentes partes do dispositivo, os cientistas conseguiram fazê-lo avançar e mudar de trajetória.

O experimento demonstrou que a luz pode funcionar como um comando externo para controlar movimentos produzidos por tecido vivo.

Isso não significa que o robô seja completamente autônomo.

Ele ainda depende de condições laboratoriais, de um ambiente adequado para manter suas células vivas e de uma fonte de iluminação para receber comandos.

Mesmo assim, o resultado representa um avanço importante na integração entre biologia e engenharia.

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© Melanie Gonick – MIT

Robôs com tecidos vivos poderiam transformar a exploração de ambientes delicados

Uma das possibilidades mais interessantes da robótica bio-híbrida está relacionada às propriedades naturais dos tecidos biológicos.

Diferentemente de muitos componentes mecânicos, células vivas podem responder a mudanças ambientais e, em determinadas condições, participar de processos de reparação.

Entretanto, o estudo não demonstrou que esse robô consiga se regenerar sozinho.

Os pesquisadores também precisam melhorar sua velocidade, resistência e capacidade de funcionar fora das condições controladas do laboratório.

No futuro, sistemas semelhantes poderiam contribuir para o desenvolvimento de pequenos dispositivos destinados à exploração de ambientes aquáticos sensíveis.

Estruturas flexíveis e delicadas poderiam alcançar locais onde equipamentos rígidos apresentam limitações.

Por enquanto, essas aplicações continuam sendo possibilidades de pesquisa, não tecnologias prontas para utilização.

O futuro da robótica pode combinar máquinas e organismos vivos

O experimento do MIT mostra que o movimento de um robô não precisa depender exclusivamente de motores, engrenagens ou mecanismos eletrônicos tradicionais.

Ao integrar músculos cultivados em laboratório a uma estrutura flexível, os pesquisadores demonstraram uma alternativa para produzir propulsão.

A tecnologia ainda está em estágio experimental, mas abre caminho para máquinas que aproveitem propriedades naturais dos organismos vivos.

A principal descoberta não é apenas que um pequeno robô consegue nadar.

É que células musculares podem funcionar como componentes ativos de uma máquina, respondendo a comandos externos e produzindo movimentos controlados.

Essa combinação entre tecidos biológicos e engenharia pode ajudar a redefinir o conceito de robô nas próximas décadas.

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