Pular para o conteúdo
Ciência

Câncer de próstata: Um tubo de saliva pode revelar mais do que você imagina

Um teste de DNA simples, feito com saliva e sem sair de casa, pode identificar com mais precisão o risco de câncer de próstata do que o tradicional exame de sangue. A descoberta pode transformar a forma como detectamos precocemente um dos tipos de câncer mais comuns entre os homens.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Você já imaginou descobrir o risco de desenvolver câncer de próstata com apenas uma amostra de saliva, sem precisar sair de casa? Cientistas britânicos estão testando uma nova forma de rastreamento que promete mais precisão, menos exames invasivos e um acesso mais amplo ao diagnóstico precoce da doença — e os primeiros resultados são animadores.

Teste de saliva pode antecipar diagnósticos de tumores agressivos

Pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Câncer de Londres (ICR) desenvolveram um teste genético baseado em saliva que pode detectar, com maior exatidão, a probabilidade de um homem desenvolver câncer de próstata agressivo. O método foi avaliado em mais de 6 mil homens europeus entre 55 e 69 anos — faixa etária crítica para a doença — e mostrou resultados superiores ao tradicional exame de sangue PSA.

Câncer de próstata: Um tubo de saliva em casa pode revelar mais do que você imagina
© Pexels

A técnica consiste em analisar o DNA presente na saliva e identificar 130 variações genéticas ligadas ao câncer de próstata. Com essas informações, os cientistas calculam um “escore de risco poligênico” (PRS) que indica o grau de predisposição genética para desenvolver a doença. Quanto maior o escore, maior o risco.

Entre os 10% com escores mais elevados, 40% foram diagnosticados com câncer após exames complementares, e mais da metade dos casos eram tumores agressivos. Para comparação, o PSA identificou apenas 25% de casos reais e detectou menos tumores perigosos.

Por que o exame de PSA nem sempre é confiável?

O exame PSA mede a concentração de uma proteína no sangue, e níveis elevados podem sugerir a presença de câncer. No entanto, a maioria dos resultados positivos é de falsos alarmes: três em cada quatro homens com PSA alto não têm a doença.

Além disso, o PSA frequentemente identifica tumores de crescimento lento e pouco perigosos, o que pode levar a procedimentos desnecessários, como biópsias e cirurgias, que trazem efeitos colaterais graves, como impotência e incontinência urinária.

O novo teste de saliva, por outro lado, tem mostrado mais eficiência em evitar esses falsos positivos e em identificar casos que passariam despercebidos pelo PSA — inclusive em pacientes com níveis considerados normais.

Como o exame funciona e o que esperar do futuro

O teste é simples: o paciente coleta uma amostra de saliva em casa, envia para análise laboratorial e recebe uma avaliação detalhada de seu risco genético. Se o resultado indicar alto risco, ele é encaminhado para exames como ressonância magnética ou biópsia.

Segundo a pesquisadora Ros Eeles, responsável pelo estudo, a tecnologia é promissora, barata e de fácil acesso, podendo poupar muitos homens de exames desnecessários e focar nos casos realmente preocupantes.

Apesar do entusiasmo, os cientistas alertam que ainda é cedo para adotar o exame como padrão. Mais estudos de longo prazo são necessários para comprovar se ele realmente reduz a mortalidade por câncer de próstata. Por enquanto, o teste é visto como um aliado do PSA, e não um substituto.

Ainda assim, a possibilidade de detectar o risco com um simples teste de saliva pode representar um novo capítulo na luta contra um dos cânceres mais frequentes entre os homens — e tudo isso começando com um tubo discreto e acessível enviado pelo correio.

[Fonte: R7]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados