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Ciência

Câncer de pulmão surpreende cientistas ao usar neurônios para crescer e se espalhar

Pesquisadores descobriram que o câncer de pulmão de pequenas células consegue formar conexões diretas com neurônios, acelerando o crescimento e a metástase da doença. A revelação abre novas possibilidades de tratamento ao mostrar que bloquear essa comunicação pode reduzir tumores e aumentar a sobrevida em testes iniciais.
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Tempo de leitura: 2 minutos

A relação entre o sistema nervoso e o câncer acaba de ganhar um novo capítulo intrigante. Um estudo publicado na revista Nature revelou que células de câncer de pulmão são capazes de estabelecer sinapses com neurônios, utilizando neurotransmissores para favorecer seu crescimento. A descoberta pode revolucionar a forma como a medicina entende e enfrenta a doença, apontando para terapias inovadoras que interrompam essa rede invisível de comunicação.

Como o tumor “conversa” com os neurônios

Até recentemente, esse tipo de interação só havia sido observado em tumores cerebrais. Agora, pesquisadores da Universidade de Colônia, na Alemanha, mostram que o câncer de pulmão de pequenas células (CPPC) consegue infiltrar-se em circuitos neuronais. Nos testes, o tumor usou substâncias como glutamato e GABA para estimular a própria multiplicação.

Os cientistas observaram que, quanto mais próximas as células tumorais estavam de neurônios sensoriais ou corticais, mais rapidamente se expandiam. A hipótese é que o tumor não apenas interage, mas também “se alimenta” das conexões estabelecidas.

Evidências em laboratório e em animais

Nos experimentos, imagens celulares e análises genéticas mostraram a formação clara de sinapses entre o CPPC e os neurônios. O professor Matteo Bergami afirmou ter ficado surpreso com a intensidade da inervação observada, sugerindo que este pode ser um dos caminhos para explicar a alta taxa de metástase cerebral nesse tipo de câncer.

A pesquisadora Elisa Motori reforça que o fenômeno vai além de uma simples “conversa celular”: as células tumorais parecem extrair recursos dos neurônios, como se estivessem se apropriando da estrutura nervosa para sustentar seu crescimento.

Bloqueando a comunicação tumoral

O estudo também testou maneiras de interromper esse diálogo. Em camundongos, quando os cientistas bloquearam a ação do glutamato, os tumores diminuíram de tamanho e os animais viveram mais tempo. O resultado mostra que atacar a comunicação entre tumor e neurônios pode ser tão importante quanto combater diretamente as células cancerígenas.

Segundo a cientista Christian Reinhardt, do Centro de Câncer da Alemanha Ocidental, esse bloqueio pode ser combinado à quimioterapia, aumentando a eficácia do tratamento.

Células Cancerígenas
© Thanapipat-Kulmuangdoan

Novas possibilidades terapêuticas

A descoberta levanta a chance de reaproveitar medicamentos já disponíveis, como anticonvulsivantes que agem sobre neurotransmissores, além de inspirar o desenvolvimento de novas drogas específicas. O objetivo é interromper de forma precisa as conexões tumorais sem prejudicar a função natural dos neurônios.

A equipe agora busca detalhar como essas sinapses se formam e quais neurotransmissores estão mais envolvidos. Esse conhecimento poderá abrir caminho para terapias personalizadas, que transformem um ponto frágil do organismo em arma contra a progressão do câncer.

Um alerta para a medicina

A pesquisa revela o quanto o corpo pode, sem intenção, contribuir para o avanço da doença, tratando o tumor como se fosse um tecido saudável. Para os especialistas, o grande desafio será transformar esse entendimento em estratégias clínicas capazes de salvar vidas, especialmente diante de um câncer tão agressivo como o CPPC.

Fonte: Metrópoles

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