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Ciência

Casais não duram mais? Talvez o problema seja o que você chama de amor

Relacionamentos duradouros não são sorte nem destino. Segundo especialistas, existem três pilares fundamentais que sustentam um casal ao longo do tempo — e nenhum deles tem a ver com contos de fadas. Descubra por que ainda seguimos mitos ultrapassados e o que realmente faz um amor resistir ao tempo.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Apesar de ser exaltado como algo sublime, o amor também é uma das principais fontes de sofrimento emocional. O psicólogo Luis Muiño afirma que grande parte das pessoas que procuram terapia o fazem por questões amorosas. Para ele, o problema está na forma ultrapassada como aprendemos a amar, baseada em vício, idealização e dependência.

O amor romântico que adoece

Muiño critica o modelo tradicional do amor romântico: um amor possessivo, idealizado e viciante. Segundo ele, isso gera relações tóxicas, nas quais os parceiros não se enxergam como realmente são, mas sim como querem que o outro seja. A paixão, diz ele, atua como um “narcótico interno” que nos impede de ver os defeitos ou limitações da outra pessoa.

O mito da “cara-metade”, herdado da filosofia clássica, reforça essa visão distorcida. Para o psicólogo, esperar que o outro “nos complete” é aprisionar o amor em um ideal inalcançável.

Três pilares para um amor verdadeiro

Baseado na teoria do triângulo do amor do psicólogo, Robert Sternberg, propõe três componentes essenciais para um relacionamento saudável e duradouro:

  • Intimidade: ver o parceiro como um amigo íntimo, capaz de compartilhar silêncios e vulnerabilidades. 
  • Paixão: manter o desejo, o contato físico e o carinho como parte cotidiana da relação. 
  • Compromisso: construir planos em comum, dividir sonhos e caminhar lado a lado no futuro. 

Segundo ele, a ausência de qualquer uma dessas “pernas” desmonta o que se entende por um casal verdadeiro.

Casal (4)
© Min An – Pexels

O casting emocional e o amor construído

Uma das ideias mais curiosas de Muiño é o “casting emocional”: observar padrões comportamentais logo no início da relação, antes que a paixão cegue. Em vez de perguntar sobre valores genéricos, ele recomenda observar como a pessoa lida com conflitos e seus relacionamentos anteriores.

Ele também propõe que cada pessoa tenha em mente cinco requisitos inegociáveis para um parceiro. Caso o outro não atenda a esses critérios, melhor não insistir.

Amar é trabalho, não milagre

Para o psicólogo, o amor não é algo que se encontra pronto — é algo que se constrói. Relacionamentos saudáveis nos tornam melhores. Os tóxicos, nos afundam. O amor, para durar, precisa de consciência, esforço e desconstrução de fantasias. Afinal, amar é um processo, não um destino.

Fonte: O Globo

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