Apesar de ser exaltado como algo sublime, o amor também é uma das principais fontes de sofrimento emocional. O psicólogo Luis Muiño afirma que grande parte das pessoas que procuram terapia o fazem por questões amorosas. Para ele, o problema está na forma ultrapassada como aprendemos a amar, baseada em vício, idealização e dependência.
O amor romântico que adoece
Muiño critica o modelo tradicional do amor romântico: um amor possessivo, idealizado e viciante. Segundo ele, isso gera relações tóxicas, nas quais os parceiros não se enxergam como realmente são, mas sim como querem que o outro seja. A paixão, diz ele, atua como um “narcótico interno” que nos impede de ver os defeitos ou limitações da outra pessoa.
O mito da “cara-metade”, herdado da filosofia clássica, reforça essa visão distorcida. Para o psicólogo, esperar que o outro “nos complete” é aprisionar o amor em um ideal inalcançável.
Três pilares para um amor verdadeiro
Baseado na teoria do triângulo do amor do psicólogo, Robert Sternberg, propõe três componentes essenciais para um relacionamento saudável e duradouro:
- Intimidade: ver o parceiro como um amigo íntimo, capaz de compartilhar silêncios e vulnerabilidades.
- Paixão: manter o desejo, o contato físico e o carinho como parte cotidiana da relação.
- Compromisso: construir planos em comum, dividir sonhos e caminhar lado a lado no futuro.
Segundo ele, a ausência de qualquer uma dessas “pernas” desmonta o que se entende por um casal verdadeiro.

O casting emocional e o amor construído
Uma das ideias mais curiosas de Muiño é o “casting emocional”: observar padrões comportamentais logo no início da relação, antes que a paixão cegue. Em vez de perguntar sobre valores genéricos, ele recomenda observar como a pessoa lida com conflitos e seus relacionamentos anteriores.
Ele também propõe que cada pessoa tenha em mente cinco requisitos inegociáveis para um parceiro. Caso o outro não atenda a esses critérios, melhor não insistir.
Amar é trabalho, não milagre
Para o psicólogo, o amor não é algo que se encontra pronto — é algo que se constrói. Relacionamentos saudáveis nos tornam melhores. Os tóxicos, nos afundam. O amor, para durar, precisa de consciência, esforço e desconstrução de fantasias. Afinal, amar é um processo, não um destino.
Fonte: O Globo