Durante sua primeira presidência, Trump contou com o apoio silencioso de muitas corporações americanas, que evitaram questionar suas políticas. No entanto, a nova onda de tarifas está começando a causar fissuras nesse escudo corporativo. O CEO da Ford, Jim Farley, fez duras críticas à estratégia tarifária de Trump, alertando que a imposição de tarifas de 25% sobre importações pode prejudicar severamente a indústria automotiva dos EUA, encarecendo a produção e favorecendo concorrentes estrangeiros.
O Impacto das Tarifas na Indústria Automotiva
Em um evento da Wolfe Research em Nova York, Farley declarou que as políticas tarifárias de Trump trouxeram “muito custo e muito caos” para o setor. O ex-presidente já afirmou diversas vezes que salvou a indústria automotiva americana, mas, segundo Farley, pode estar prestes a destruí-la.
O CEO da Ford alertou que uma tarifa de 25% sobre importações vindas do México e do Canadá teria um impacto sem precedentes: “Sejamos realistas, a longo prazo, essa medida abriria um buraco na indústria automobilística dos EUA como nunca vimos antes.”
Um Presente para os Concorrentes Estrangeiros
Além de encarecer os custos de produção para fabricantes americanos, as tarifas dariam uma vantagem competitiva a montadoras estrangeiras, como as sul-coreanas, japonesas e europeias. Enquanto empresas como a Ford teriam que repassar os aumentos ao consumidor, essas montadoras poderiam manter preços mais baixos, tornando seus veículos mais atraentes no mercado.
Farley descreveu essa situação como “uma das maiores oportunidades de lucro que essas empresas já tiveram”. Em outras palavras, a política tarifária de Trump poderia fortalecer concorrentes internacionais às custas da indústria americana.
Mudança de Postura da Ford
A preocupação de Farley marca uma mudança significativa na postura da Ford em relação a Trump. Em 2017, a empresa doou mais de US$ 1 milhão e veículos para a posse do ex-presidente, demonstrando otimismo com o governo republicano. Até dezembro passado, Farley minimizava as ameaças tarifárias, afirmando que a Ford, com mais de 120 anos de história, já havia passado por diversas mudanças políticas e estava bem preparada para enfrentar novos desafios.
No entanto, agora que as tarifas estão prestes a ser implementadas, Farley já não esconde o temor. Ele revelou que sua empresa pode ser forçada a realizar grandes demissões se as medidas entrarem em vigor, chamando o impacto de “devastador” para todo o setor.
Outras Montadoras Mantêm a Cautela
Enquanto Farley expressa sua frustração, outros executivos tentam manter a calma. No mesmo evento, a CEO da GM, Mary Barra, afirmou que sua empresa conseguiria mitigar até metade dos custos adicionais causados pelas tarifas e que estava “preparada” para o que viesse a seguir.
Mesmo assim, a crescente preocupação de Farley sugere que ele não será o único a manifestar sua insatisfação publicamente. À medida que Trump intensifica sua agenda tarifária, mais líderes do setor podem se ver forçados a se posicionar contra as medidas, temendo o impacto desastroso para a economia e o emprego nos EUA.