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Tecnologia

ChatGPT já é a segunda plataforma mais usada para estudar e lidera em saúde na América Latina: a IA avança mais rápido do que qualquer tecnologia recente

Um relatório regional mostra que a inteligência artificial deixou de ser novidade para se tornar parte da rotina. ChatGPT lidera em saúde e já ocupa o segundo lugar na educação, enquanto milhões de usuários reduzem o uso de apps tradicionais e adotam novas formas de aprender e cuidar da saúde.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A inteligência artificial generativa se consolidou, em poucos anos, como uma das tecnologias mais transformadoras da vida cotidiana. O que antes parecia uma tendência distante hoje já influencia diretamente como milhões de latino-americanos estudam, trabalham e cuidam da própria saúde.

Um novo relatório do Instituto Tecnológico de Buenos Aires (ITBA), que analisou o impacto da tecnologia em países como Brasil, Argentina, Colômbia e México, revela a dimensão dessa mudança. Entre os destaques, o ChatGPT aparece como a principal aplicação na área de saúde e já ocupa o segundo lugar no setor educacional, superando plataformas tradicionais como o Duolingo.

A IA já mudou o comportamento digital

O truque escondido que deixou o ChatGPT muito mais útil
© Pexels

Os números ajudam a entender a velocidade dessa transformação. Quase metade da população da região já utiliza aplicativos baseados em inteligência artificial, e mais da metade desses usuários afirma ter reduzido o uso de outras plataformas após incorporar essas ferramentas à rotina.

Além disso, a percepção é amplamente positiva: 84% dos entrevistados acreditam que a IA melhora sua qualidade de vida.

Isso mostra que não se trata apenas de adoção tecnológica, mas de uma mudança de comportamento. A IA deixou de ser complementar e passou a ocupar um papel central no dia a dia digital.

Educação: de assistir a aprender interagindo

No campo educacional, a ascensão da IA é especialmente significativa. O YouTube ainda lidera como principal ferramenta de aprendizagem, com 60% de uso, mas o ChatGPT já aparece em segundo lugar, com 30%.

A diferença fundamental está no formato. Plataformas como YouTube oferecem conteúdo passivo, enquanto a IA permite interação, personalização e respostas em tempo real.

Isso muda a lógica do aprendizado: o usuário deixa de apenas consumir informação e passa a dialogar com ela.

Ao mesmo tempo, o crescimento de ferramentas como Gemini, Copilot e DeepSeek está formando um novo ecossistema que desafia o domínio histórico das grandes empresas de tecnologia.

Um novo bloco de poder digital

Quando analisadas em conjunto, as plataformas de IA já representam um espaço relevante no uso digital da população. Somadas, elas formam o terceiro maior “território” de atenção dos usuários na América Latina, atrás apenas dos ecossistemas da Meta e da Alphabet.

A disputa se torna ainda mais direta quando se observa que o uso combinado do buscador do Google com o Gemini já alcança níveis similares ao uso individual do ChatGPT.

Esse cenário indica que a competição não é mais apenas entre aplicativos, mas entre modelos de interação: busca tradicional versus inteligência artificial conversacional.

Saúde: a transformação mais profunda

Idade Biológica, Proteômica E Medicina Preventiva
© Dip Design 3181 – Shutterstock

É na área da saúde que a mudança se mostra mais disruptiva.

Em 2025, o ChatGPT se tornou a aplicação mais utilizada nesse segmento, principalmente entre usuários mais jovens. Isso representa uma ruptura com o modelo anterior, dominado por aplicativos de planos de saúde, portais médicos e ferramentas de monitoramento físico.

Na Colômbia, por exemplo, 20% da população já utiliza a IA como principal ferramenta de consulta em saúde. Nos demais países analisados, o índice gira em torno de 15%.

Ainda assim, o cenário é híbrido. O índice de inovação em saúde permanece em 39%, coexistindo com plataformas tradicionais.

Desigualdades e resistências persistem

Apesar do crescimento acelerado, a adoção da IA não é uniforme.

Entre pessoas com mais de 65 anos, por exemplo, o ChatGPT não lidera em nenhuma categoria. Esse grupo ainda prefere ferramentas tradicionais como Facebook e portais de saúde.

Também existem diferenças marcantes relacionadas à educação. O uso de IA chega a 43% entre pessoas com ensino superior completo, mas cai para 19% entre aquelas com nível básico.

Além disso, uma parcela significativa da população ainda resiste à tecnologia: 29% não têm interesse em usar IA para saúde e 18% rejeitam seu uso na educação.

Um novo paradigma em construção

O avanço da inteligência artificial na América Latina não é apenas tecnológico — é estrutural.

Ele redefine como as pessoas acessam conhecimento, tomam decisões e interagem com serviços essenciais. Ao mesmo tempo, evidencia desafios importantes, como desigualdade de acesso, alfabetização digital e uso responsável.

O que o relatório deixa claro é que essa transformação já está em curso. E, ao que tudo indica, estamos apenas no começo de uma nova fase em que a inteligência artificial não será uma ferramenta opcional — mas parte fundamental da vida cotidiana.

 

[ Fonte: TN ]

 

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