O som das Cataratas do Iguaçu costuma anunciar a paisagem antes que ela apareça. Agora, a força da água também determina até onde os visitantes podem chegar. As chuvas intensas elevaram a vazão do rio e levaram os parques brasileiro e argentino a restringir setores turísticos. As medidas procuram proteger pessoas e estruturas, enquanto equipes acompanham a evolução da cheia para decidir sobre novas interdições ou reaberturas.
O que permanece disponível no lado brasileiro

No Brasil, o comunicado oficial publicado em 13 de outubro informa que a Trilha das Cataratas permanece aberta. Portanto, ainda é possível observar as quedas pelos trechos liberados do percurso.
Entretanto, a passarela das Cataratas está interditada desde 11 de outubro. O mirante inferior do Espaço Naipi também aparece entre as áreas fechadas, limitando parte da aproximação ao conjunto de saltos.
O aviso inclui outras interdições: Circuito São João, Espaço Usina, Caminho do Poço Preto e Trilha da Canafístula. Já o Caminho das Bananeiras está fechado para obras.
As informações correspondem ao comunicado daquela data. A liberação de uma trilha não significa que todos os mirantes e caminhos associados estejam acessíveis.
Na Argentina, a Garganta do Diabo segue como principal restrição
A reportagem da National Geographic relata que o acesso aos circuitos de passarelas argentinos foi suspenso em 12 de outubro e retomado posteriormente. Ainda assim, menciona restrições no Circuito Verde e no acesso à Garganta do Diabo.
A situação desse último percurso começou antes da cheia atual. Em um aviso divulgado pela concessionária Iguazú Argentina, a empresa informou que iniciou a retirada preventiva de pisos e guarda-corpos em 3 de agosto.
A operação buscava proteger a infraestrutura diante das previsões de vazões elevadas em setembro e outubro. Na ocasião, não havia uma data definida para a reabertura da Garganta do Diabo.
Como aquele comunicado antecede as chuvas de outubro, sua lista de atrações disponíveis não deve ser tratada como confirmação das condições atuais. Para organizar o passeio, é necessário acompanhar as atualizações do parque.
Por que a força da água exige interdições

A reportagem descreve uma vazão próxima de 12 mil metros cúbicos por segundo, diante de uma média habitual de aproximadamente 1.500. Isso equivale a cerca de oito vezes o volume médio.
Além de atingir passarelas e mirantes, a corrente pode carregar troncos e outros materiais capazes de danificar as instalações. A retirada preventiva de componentes procura reduzir a exposição das estruturas à cheia.
No lado brasileiro, equipes desmontaram os guarda-corpos da passarela para facilitar a passagem da água. A reabertura depende da evolução da vazão e de avaliações técnicas, incluindo autorização de um engenheiro especializado.
El Niño aumenta a atenção sobre as chuvas
O El Niño altera a circulação atmosférica e influencia os padrões de precipitação em diferentes regiões. Conforme a Organização Meteorológica Mundial, o fenômeno pode favorecer chuvas mais intensas em partes da América do Sul, embora os efeitos variem entre locais e episódios.
A região já enfrentou danos importantes em outras cheias. Em outubro de 2023, a água destruiu grande parte das passarelas e o balcão da Garganta do Diabo, que voltou a receber visitantes em julho de 2024.
Para quem planeja uma viagem agora, o ponto central é verificar os percursos liberados perto da data da visita. As cataratas continuam oferecendo possibilidades de observação, mas alguns de seus acessos mais conhecidos permanecem sujeitos às decisões de segurança.