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Tecnologia

China proíbe chips da Nvidia e aposta em rivalidade tecnológica caseira

Decisão da Administração do Ciberespaço da China obriga gigantes como Alibaba e Bytedance a suspenderem pedidos de chips da Nvidia. Autoridades acreditam que processadores locais já competem de igual para igual com os modelos simplificados da fabricante americana.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A relação entre Nvidia e China ganhou um novo capítulo turbulento. Depois de anos de restrições impostas pelos Estados Unidos e tentativas da fabricante americana de contornar as regras com versões “capadas” de seus chips, Pequim decidiu cortar de vez a dependência. Segundo o Financial Times, o órgão regulador chinês ordenou que empresas como Alibaba, Bytedance e Tencent interrompessem testes e compras dos chips RTX Pro 6000D.

Chips adaptados para a China

O RTX Pro 6000D foi lançado no início do ano como um chip de menor desempenho, criado sob medida para atender ao mercado chinês sem violar as regras de exportação impostas por Washington. A ideia era preencher o espaço deixado pelos H20, outro modelo de especificações reduzidas, que havia sido proibido mas recentemente voltou a ser autorizado para exportação.

Apesar disso, os novos pedidos do H20 ainda não foram liberados e os chips mais avançados da linha Blackwell seguem bloqueados. O impasse criou um vácuo que, desta vez, Pequim parece não estar disposta a preencher com a Nvidia.

A fala de Jensen Huang

Questionado sobre a medida durante coletiva, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, reconheceu a frustração mas buscou manter um tom diplomático. “Podemos servir a um mercado apenas se um país quiser. Estou desapontado, mas compreendo que há agendas maiores em jogo entre China e Estados Unidos. Continuaremos pacientes e dispostos a apoiar empresas e governo chineses sempre que desejarem”, disse.

O pano de fundo geopolítico

A decisão se soma à guerra comercial que vem se intensificando entre as duas maiores economias do mundo. O governo Biden impôs restrições para limitar o acesso chinês a chips avançados, sob o argumento de proteger a segurança nacional e a liderança tecnológica americana.

No início de 2025, Donald Trump chegou a reforçar o bloqueio, mas acabou recuando após a surpreendente demonstração da Deepseek, empresa chinesa que apresentou o modelo de IA R1. O sistema rivalizou com soluções americanas de ponta utilizando chips mais baratos, reforçando a confiança de Pequim na capacidade de inovar mesmo sem depender das placas gráficas mais poderosas da Nvidia.

Além dos semicondutores, a disputa já envolve o futuro do TikTok e a exploração de terras-raras, das quais a China domina cerca de 90% da produção global.

Crescimento dos chips chineses

O recado de Pequim é claro: a era de dependência da Nvidia está chegando ao fim. Empresas como Huawei, Cambricon, Alibaba e Baidu estão investindo pesado em processadores próprios e, segundo fontes citadas pelo Financial Times, as autoridades chinesas já avaliam que esses chips são “comparáveis ou até superiores” aos modelos simplificados que ainda poderiam ser vendidos legalmente.

“O consenso no alto escalão agora é que haverá oferta doméstica suficiente para atender à demanda sem precisar comprar da Nvidia”, disse um executivo ao jornal.

Reação do mercado

O anúncio impulsionou as ações de empresas locais de semicondutores. A Alibaba subiu após fechar contrato com a estatal China Unicom para fornecer seus chips de IA, enquanto a Baidu teve a maior alta em três anos na bolsa de Hong Kong, refletindo a confiança de analistas em seu braço de hardware.

A Cambricon, outra desenvolvedora chinesa, chegou a alertar investidores sobre o “boom” no setor, com valorização acima do esperado. Para Pequim, é a prova de que a estratégia de independência tecnológica está dando frutos.

Um ponto de virada?

Até agora, nenhum chip chinês conseguiu competir de fato com os produtos mais avançados da Nvidia, considerados referência global em IA. Mas a proibição atual indica que Pequim acredita ter alcançado maturidade suficiente para não depender mais dos modelos reduzidos que Washington autorizava exportar.

Se confirmada essa percepção, a disputa pode marcar um divisor de águas: de fornecedor essencial para a indústria chinesa de inteligência artificial, a Nvidia corre o risco de ser substituída por uma cadeia doméstica em rápida ascensão.


A China proibiu a compra de chips da Nvidia, alegando que seus próprios processadores já rivalizam com os modelos simplificados oferecidos no país. A medida pressiona a gigante americana e acelera a corrida por autossuficiência tecnológica em meio à guerra comercial e ao aumento das tensões com os Estados Unidos.

 

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