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Ciência

Cientistas alertam que geleiras dos Pireneus podem desaparecer até 2034

Novas medições revelam perdas impressionantes de gelo em uma das cordilheiras mais famosas da Europa. Nem mesmo as fortes nevascas conseguiram impedir o avanço de um processo preocupante.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante milhares de anos, enormes massas de gelo resistiram às mudanças das estações nas montanhas europeias. Essas geleiras atravessaram séculos de transformações climáticas e se tornaram parte fundamental da paisagem. Entretanto, algo está acontecendo em uma velocidade que surpreende os pesquisadores. As medições mais recentes mostram que algumas dessas formações estão perdendo vários metros de espessura em apenas um ano. E as projeções indicam que seu desaparecimento pode estar muito mais próximo do que imaginávamos.

Uma das cordilheiras mais famosas da Europa está perdendo suas geleiras

As geleiras dos Pireneus, cadeia montanhosa localizada entre Espanha e França, atravessam um dos períodos mais críticos de sua história recente.

Um relatório divulgado no final de outubro de 2026 pelo grupo CryoPyr, vinculado ao Instituto Pirenaico de Ecologia do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha (CSIC), apresentou resultados preocupantes.

Segundo os pesquisadores, a temporada de 2025-2026 foi a terceira com maiores perdas de gelo desde o início das medições anuais, em 2012.

O dado surpreende porque a região recebeu nevascas abundantes durante o inverno e a primavera.

Entretanto, as temperaturas elevadas registradas posteriormente anularam grande parte dos benefícios proporcionados pelo acúmulo de neve.

No glaciar de Ossoue, localizado na vertente francesa, a perda média chegou a 3,1 metros de espessura, com setores que perderam até 4,9 metros.

No Aneto, uma das geleiras mais conhecidas dos Pireneus, a redução média foi de 2,4 metros.

Já em Monte Perdido, os pesquisadores identificaram uma diminuição média de 2,3 metros, com áreas onde desapareceram até seis metros de gelo em apenas uma temporada.

Os resultados foram obtidos com drones e modelos tridimensionais, utilizados para comparar a superfície das geleiras ao longo dos anos.

O problema não é apenas o derretimento: o gelo está se fragmentando

Além da redução de espessura, os pesquisadores identificaram outra transformação preocupante.

As massas de gelo estão se dividindo em fragmentos cada vez menores.

O glaciar do Aneto, que já havia apresentado separações durante 2025, desenvolveu novas fraturas e agora aparece dividido em quatro corpos de gelo.

Essa fragmentação compromete sua continuidade e pode acelerar a perda de suas características glaciais.

Conforme o gelo desaparece, novas superfícies rochosas ficam expostas à radiação solar.

Outro problema ocorre quando sedimentos escuros se acumulam sobre o gelo.

Enquanto a neve limpa reflete grande parte da luz solar, superfícies mais escuras absorvem mais energia, favorecendo o aquecimento e o derretimento.

Esse processo pode criar um ciclo de deterioração progressiva.

Os cientistas também observaram que algumas geleiras praticamente deixaram de se movimentar.

Isso indica que determinadas massas de gelo estão perdendo a dinâmica que caracteriza uma geleira ativa.

O ano de 2034 pode marcar uma mudança histórica nos Pireneus

As projeções científicas apontam que o gelo glaciar dos Pireneus poderá desaparecer por volta de 2034, caso a tendência atual continue.

A data, entretanto, não representa uma previsão exata ou inevitável.

A velocidade do desaparecimento depende das temperaturas futuras, da quantidade de neve acumulada e da frequência de verões extremamente quentes.

Modelos indicam que o glaciar do Aneto poderá perder aproximadamente 79% de seu gelo até 2030, mesmo considerando cenários moderados de emissões.

A repetição de verões como o de 2022, marcado por temperaturas excepcionalmente elevadas, poderia acelerar ainda mais esse processo.

Por outro lado, variações climáticas podem alterar o ritmo de perda de gelo.

O cenário mais preocupante não é apenas a redução da superfície congelada, mas a possibilidade de que essas formações deixem de existir como geleiras funcionais.

O desaparecimento das geleiras terá consequências além da paisagem

Atualmente, as geleiras pirenaicas contribuem com uma parcela relativamente pequena da água que alimenta os rios da região.

Mesmo assim, sua perda representa uma transformação ambiental importante.

Ecossistemas de alta montanha associados ao gelo permanente poderão desaparecer ou sofrer mudanças profundas.

Espécies adaptadas às condições frias enfrentarão ambientes cada vez mais diferentes daqueles em que evoluíram.

Também haverá consequências para o patrimônio natural e paisagístico de uma região que atrai visitantes de diferentes partes do mundo.

O que acontece nos Pireneus serve como alerta para outras cadeias montanhosas, incluindo os Alpes, os Andes e o Himalaia.

O desaparecimento dessas geleiras não significa apenas perder grandes reservas de gelo, mas testemunhar uma transformação irreversível em paisagens que permaneceram relativamente estáveis durante milhares de anos.

Se as projeções se confirmarem, a próxima década poderá marcar o fim de uma parte emblemática da história natural europeia.

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